
Por: Francisco Santos - 13/03/2026
Estou recebendo mensagens do mundo todo sobre as eleições do último fim de semana na Colômbia. O que aconteceu? Para onde a Colômbia está caminhando? E como se saíram a direita e o centro-direita? A resposta: bem e mal.
Más notícias, porque os resultados mostraram que a Colômbia continua em imenso risco de seguir o caminho do populismo, já que a esquerda se fortaleceu no Congresso e demonstrou que Iván Cepeda é um candidato muito forte e incontestável nesse espectro político, ao contrário do centro ou da direita. Boas notícias, porque as primárias de centro e centro-direita se tornaram, por um lado, as mais votadas da história, com 5,8 milhões de votos, e indicaram o caminho para derrotar a esquerda radical: unir e atrair o centro é a chave para o primeiro turno da eleição presidencial.
E daí? Primeiro, o desejo de Gustavo Petro, Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella — de não ter concorrência em maio, no primeiro turno da eleição presidencial — não se concretizou. Paloma Valencia, com seus milhões de votos no primeiro turno, consolidou-se como uma forte rival dos dois candidatos radicais, e a possibilidade de ela, como candidata de centro-direita, chegar ao segundo turno é alta, caso tenha um bom desempenho durante esses meses de campanha.
O que significa fazer as coisas direito? Por um lado, precisamos cultivar nosso apoio fundamental para manter esses votos e, além disso, expandir nosso alcance em áreas onde for possível, principalmente entre os jovens urbanos, que ainda não alcançamos e que Juan Daniel Oviedo conseguiu conquistar. Não podemos esperar um segundo sequer para começar a entender os jovens urbanos com quem Oviedo conversou, para ampliar nossa base, e devemos concentrar nossos esforços principalmente em Bogotá.
Paloma precisa abandonar a retórica tradicional do Uribismo e começar a compreender melhor a situação atual do país. Isso não significa, de forma alguma, que ela deva se esquecer das questões de segurança e de outros assuntos em sua agenda, mas sim que precisa entender que a retórica anticomunista tradicional já não encontra eco em ninguém, ou que aqueles que ainda encontram já foram convencidos. Esperamos que Oviedo e Paloma compreendam o que está em jogo e cheguem a um bom entendimento para que, por um lado, possamos nos livrar das garras do populismo e, por outro, as muitas reformas necessárias ao país possam ser implementadas.
Iván Cepeda continua, sem dúvida, muito forte. Será que ele conseguirá angariar ainda mais votos no centro? Isso depende de Claudia López, que já deixou claro que pretende concorrer por lá, de Sergio Fajardo e de todos os candidatos da Grande Consulta. Em breve veremos, nas novas pesquisas — todas com resultados bastante desfavoráveis, algumas piores que outras —, o quanto os resultados de domingo alteraram o cenário político.
Obviamente, devemos analisar esses números com cautela e lembrar que eles não incluem os candidatos a vice-presidente, que também fazem diferença. O que acontece se a popularidade de Paloma cair para entre 15% e 20%? Ou se ficar em torno de 10%?
Veremos como essas consultas alteraram o cenário político e se criaram uma competição mais aberta, com maiores possibilidades de o centro desempenhar um papel decisivo na eleição presidencial. Por ora, há uma réstia de esperança de que a polarização seja evitável e que o centro-direita possa ter um papel realista nas eleições de maio.
A situação das eleições para o Congresso é um assunto completamente diferente. Sem dúvida, o Pacto Histórico demonstrou força e disciplina; não nos enganemos, ele já é a principal força política do país. A questão séria, porém, é que, se incluirmos os congressistas de outros partidos que provavelmente se venderão, eles poderão controlar mais da metade do Congresso. Isso significa que, se Cepeda vencer, teremos uma Assembleia Constituinte, leis que destruirão definitivamente o sistema de saúde e impostos que prejudicarão o setor privado.
O Centro Democrático ganhou terreno, mas, francamente, sua lista de candidatos ao Senado deixou muito a desejar. Não havia nenhuma figura nova para energizar o grupo, além de Álvaro Uribe. Muitos chegaram de carro e, embora possam ser bons senadores, nunca terão sua própria plataforma política. Noventa por cento dos senadores eleitos pelo Centro Democrático não teriam sido eleitos sem Uribe.
Chegou a hora de criar um partido que não dependa de Uribe, e nestes quatro anos extremamente difíceis, transformar o Centro Democrata nesse partido será um desafio monumental. O que está claro é que, se isso não for feito, o Centro Democrata desaparecerá e não haverá contrapeso à força da esquerda. A responsabilidade histórica a esse respeito é enorme.
A reta final começou. O futuro da Colômbia está em jogo, e Paloma assumiu a liderança na corrida presidencial. Unidos no segundo turno, podemos evitar a catástrofe. Esse deve ser o objetivo de todos. Seremos responsáveis o suficiente? Esperemos que o bom senso prevaleça sobre o ego.
As opiniões aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores.