
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 17/08/2026
A expansão da ditadura cubana, utilizando recursos venezuelanos, como socialismo do século XXI ou castro-chavismo, resultou no controle de governos e países pelo crime organizado transnacional, suplantando a política pelo crime e criando narcoestados e governos paraditatoriais. As políticas de segurança nacional dos Estados Unidos alteraram a geopolítica, e hoje o eixo de confronto nas Américas é democracia versus crime.
Um narcoestado é um país onde “as instituições políticas são influenciadas pelo poder e pela riqueza do narcotráfico, cujos funcionários do governo, protegidos por sua autoridade e influência, são membros de redes ilegais de narcotráfico, e cujas forças de segurança são ineficazes no combate ao narcotráfico”. A ditadura de Castro estabeleceu o primeiro narcoestado das Américas em Cuba, por meio das atividades criminosas de Fidel Castro com os narcotraficantes Pablo Escobar, da Colômbia, e Roberto Suárez, da Bolívia, atividades que a execução dos subordinados de Castro não conseguiu ocultar.
A expansão da ditadura cubana no século XXI transformou a Venezuela, a Nicarágua, a Bolívia e o Equador, sob o governo de Correa, em ditaduras/narcoestados, bases para o narcoterrorismo. A proclamação do “narcotráfico como arma da luta anti-imperialista” na narrativa castrista da década de 1960 e na narrativa castro-chavista do século XXI foi uma admissão pública de que o socialismo do século XXI passaria de receber financiamento do narcotráfico (narcoligações) para dirigir o crime por meio do controle de governos, países e territórios.
A agressão do socialismo do século XXI contra as democracias de todas as Américas assumiu a forma de "guerra híbrida", somando-se ao narcoterrorismo a migração forçada, o tráfico de seres humanos, a manipulação de grupos criminosos comuns, o financiamento de candidatos e campanhas eleitorais, assassinatos e ataques transnacionais, extorsão e uma longa lista de crimes cometidos a partir do poder dos governos que controlam.
A mudança na realidade das Américas começou com o governo do Presidente Trump, que, após diversas ações, promulgou a “Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América” para 2025, a qual, no que diz respeito ao Hemisfério Ocidental, declara: “O Corolário Trump à Doutrina Monroe. Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nossa pátria e nosso acesso a geografias-chave em toda a região. Negaremos a concorrentes não hemisféricos a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais, em nosso Hemisfério.”
A mudança geopolítica se expressa na própria Estratégia: “Nossos objetivos para o Hemisfério Ocidental podem ser resumidos em: Atrair parceiros (recrutar) e expandir nossa presença. Atrairemos parceiros já estabelecidos no hemisfério para controlar a migração, combater o narcotráfico e fortalecer a estabilidade e a segurança em terra e no mar. Expandiremos nossa atuação cultivando e fortalecendo novas alianças, ao mesmo tempo em que reforçamos a posição de nossa nação como o parceiro econômico e de segurança preferencial do hemisfério.”
Em relação aos governos do Hemisfério, a posição é: “…recrutar líderes regionais que possam contribuir para a criação de uma estabilidade tolerável na região, mesmo além de suas fronteiras. Essas nações nos ajudariam a deter a migração ilegal e desestabilizadora, neutralizar cartéis, impulsionar a produção em países vizinhos e desenvolver economias privadas locais, entre outras coisas. Recompensaremos e incentivaremos governos, partidos políticos e movimentos na região que estejam alinhados com nossos princípios e estratégia.”
Assim, temos a Operação "Lança do Sul", a captura do ditador Nicolás Maduro (agora preso), a eliminação do líder da quadrilha do trem de Aragua, a Operação "Escudo das Américas", múltiplas extradições e muito mais. O desmantelamento do crime organizado está em curso com a participação cada vez mais ativa dos governos da região. O novo paradigma indica que, se um governo não consegue ou não quer combater o crime, os Estados Unidos têm a determinação, as capacidades militares e a tecnologia para fazê-lo.
Não se trata de direita ou esquerda, nem de progressistas ou conservadores; a disputa pelos governos e pelo poder nos países das Américas hoje se concentra no confronto entre o crime organizado (que tomou e mantém o poder e os governos em muitos países da América Latina) e a recuperação da normalidade democrática (com a restauração do Estado de Direito, da segurança cidadã e jurídica, dos direitos de propriedade e da validade dos direitos humanos).
A chamada esquerda do século XXI nas Américas é um crime comprovado, recorrente e impune: narcoterrorismo, terrorismo de Estado, violações dos direitos humanos, corrupção, subserviência a ditaduras extra-hemisféricas como a China, o Irã e a Rússia, migração forçada, tráfico de pessoas e muito mais. A atual mudança geopolítica indica que é hora de acabar com a presença de criminosos na política e nos governos.
*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.
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