
Por: Ricardo Israel - 29/03/2026
Até alguns dias atrás, os bombardeios dos EUA e de Israel tinham dois componentes principais em torno dos quais tudo parecia girar, já que, por um lado, os EUA e Israel estavam destruindo militarmente o Irã, enquanto, por outro lado, apesar disso, a República Islâmica sobrevivia sem que um governo alternativo surgisse.
No entanto, o sucesso do Irã em bloquear o fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz mudou o rumo da guerra e a forma como ela foi percebida. Um porta-voz da Agência Internacional de Energia descreveu a situação como "a maior ameaça da história à segurança energética do planeta", por mais exagerado que o temor possa parecer — uma avaliação compartilhada por muitos, visto que, em apenas algumas semanas, a situação ultrapassou a escala dos choques do petróleo de 1973 (a Guerra do Yom Kippur) e 1979 (a ascensão da República Islâmica).
Além do exposto, o que está acontecendo reafirma mais uma vez uma antiga verdade, conhecida pelo menos desde que o filósofo e general chinês Sun Tzu (544 a.C. - 496 a.C.) publicou A Arte da Guerra, no sentido de que as guerras só terminam quando a vontade de lutar dos oponentes acaba, o que também se demonstra nos casos do Hezbollah no Líbano e do Hamas em Gaza, um trio que, apesar de sua situação militar debilitada, mostra que, no Oriente Médio, os conceitos de triunfo e derrota não significam o mesmo que no Ocidente.
Portanto, nos três casos, as tentativas de mediação e negociação não terminaram em rendição, sendo provável que, com os últimos anúncios do Presidente Trump, aconteça o mesmo que ocorreu entre a Rússia e a Ucrânia na guerra europeia, ou seja, que as posições de ambos os países, EUA e Irã, se tornem tão opostas que nem mesmo um cessar-fogo seja possível.
Além disso, a Batalha de Ormuz é muito mais do que uma batalha, pois representa nada menos que um princípio de longa data, ainda consagrado no direito internacional como a liberdade de navegação. Foi esse mesmo princípio que levou a jovem república americana, em 1801, à sua primeira intervenção militar no exterior, no que hoje é território árabe no Norte da África.
Dada a sua importância histórica para os EUA, a questão é se a sua relevância sobreviverá caso o Irã consiga neutralizar aquela que ainda é a principal superpotência mundial, para a qual este princípio permanece tão relevante que, na recente Estratégia de Segurança Nacional 2025, a bíblia geopolítica da Administração Trump, foi mencionado em novembro passado que os EUA devem "preservar a liberdade de navegação em todas as rotas marítimas críticas".
Aliás, este não é o único lugar, mas se o Irã tiver sucesso no Estreito de Ormuz, colocará em risco o mais importante de todos, o Estreito de Malaca, no Sudeste Asiático, bem como os Estreitos Dinamarqueses, ou seja, os três canais marítimos que ligam o Mar Báltico ao Mar do Norte, aos quais podemos acrescentar o Bósforo e os Dardanelos, para citar apenas alguns, como o Canal do Panamá, dada a sua importância para a Marinha dos EUA, num país para o qual as considerações geopolíticas, abandonadas na prática desde o desaparecimento da URSS, foram restauradas em toda a sua glória.
O que aconteceu em Ormuz não deveria ter surpreendido os EUA, a Casa Branca ou os planejadores do Pentágono, visto que a importância dos pontos de estrangulamento marítimos é conhecida desde a antiguidade. Aliás, seu reaparecimento em Ormuz apenas demonstra que, na era dos mísseis e satélites, a geografia continua tão importante quanto sempre foi.
A importância de Ormuz se explica pelo fato decisivo de que 20% do consumo mundial de petróleo e gás passa por ali, e sem esse dinheiro, o Irã simplesmente não teria conseguido desenvolver a desestabilização que realizou em todo o Oriente Médio, além de ter se tornado o principal agente estatal na organização e financiamento do terrorismo em todo o mundo, com um braço tão longo que alcançou Buenos Aires.
E se a sua importância reside nos combustíveis, é preciso ter muita cautela com Taiwan, cuja relevância não se deve apenas à República Popular da China, mas também ao fato de que mais de 80% dos semicondutores mais avançados do mundo são produzidos naquela ilha. Assim, mesmo sem uma invasão, um bloqueio prolongado provocaria uma crise econômica global cujo impacto poderia superar a crise atual.
A captura de Ormuz é um cenário de guerra complexo, com um resultado incerto, que levanta mais perguntas do que respostas. Os vários cenários têm em comum a necessidade não de quaisquer tropas, mas de um destacamento especializado de paraquedistas e forças de reação rápida. Isso abre alternativas que vão da estabilização a uma grande escalada — um ponto de virada na situação atual. Em tal cenário, as tropas empregadas serão quase certamente americanas, já que é difícil imaginar a participação da OTAN. Além disso, Macron já indicou que as tropas francesas só estariam disponíveis para cenários de combate após a completa derrota do Irã, uma opinião que certamente reflete a da maioria da União Europeia, que afirma repetidamente que esta “não é a guerra deles”.
Além disso, Israel também não deveria fazer isso desta vez, pois, se estamos falando deste país, não podemos esquecer que ele estará ocupado com o Hezbollah, visto que o Irã conseguiu arrastar o Líbano para outra guerra, apesar dos avisos de Israel para que não o fizesse, e que, desta vez, foi o próprio governo libanês que fez algo inédito: advertir os terroristas para que se abstivessem, além de expulsar o embaixador iraniano.
O Hezbollah ignorou o aviso e tornou-se o primeiro dos grupos apoiados pelo Irã a fazê-lo, mesmo antes dos Houthis, apesar de estar fragilizado e debilitado. Israel alertou que desta vez restabelecerá uma zona de segurança que se estende até o rio Litani, a cerca de 30 km da fronteira, recuperando assim o controle de uma área em território libanês, após sua retirada completa em 2000. O Hezbollah permaneceu por anos apoiando a minoria cristã do país, mas, apesar disso, o Estado libanês não cumpriu sua obrigação de ocupar o território evacuado e, em sua inação, o Irã e o Hezbollah agiram. O objetivo dessa ocupação é defender a população israelense que vive perto da fronteira, já que, na última guerra, o Hezbollah auxiliou o Hamas, forçando Israel a evacuar dezenas de milhares de seus cidadãos de suas casas. Agora, centenas de milhares de libaneses são refugiados, devido aos combates em curso. Tudo indica uma vitória israelense, portanto sua presença certamente permanecerá até que o Estado libanês queira ou seja capaz de resolver a questão pendente de garantir o monopólio de armas para seu exército, o que implica o cenário indesejável de confronto com o Irã e o Hezbollah.
Como apenas tropas americanas lutariam em Hormuz, o presidente Trump enfrenta um grande problema político, pois isso trairia a promessa que ele fez repetidamente à sua base mais fiel, os apoiadores do MAGA (Make America Great Again), uma promessa reiterada em ambas as campanhas presidenciais: a de nunca colocar "botas em solo", ou seja, nunca envolver tropas em uma grande guerra. Portanto, a chegada dessas forças especiais poderia minar uma das principais fontes de orgulho de seu primeiro mandato: a de ter retirado o país de guerras antigas e não tê-lo envolvido em nenhuma nova.
De outra perspectiva, no que diz respeito ao programa nuclear, qualquer tentativa militar dos EUA de extrair o urânio que o Irã conseguiu enriquecer exigiria a participação de unidades de elite ainda mais especializadas, como a Força Delta, os Regimentos Ranger ou os Boinas Verdes. O sucesso dessas unidades dependeria de informações extremamente precisas sobre sua localização, bem como de expertise logística para seu deslocamento — elementos que colocam essa tarefa diretamente sobre Washington, já que, até onde se sabe, Israel não possui tais unidades. No caso do programa nuclear de Saddam Hussein, sua destruição foi realizada em 1981 por via aérea, sem tropas terrestres. De qualquer forma, os EUA possuem equipes de desativação nuclear desde a Guerra Fria.
As informações disponíveis publicamente desde os bombardeios do ano passado mostram que o Irã deve ter urânio em instalações subterrâneas em Fordow e Isfahan, seja em setores totalmente destruídos desde junho de 2025 ou ainda protegidos por muros de aço, mas para ter certeza seria necessário algo que o Irã não permite: visitas ao local.
Caso as instalações em questão fossem destruídas, tive a oportunidade de ler um relatório de um centro especializado em Jerusalém, publicado pela imprensa israelense, que me convenceu de que, dentre todas as alternativas, a menos perigosa seria deixar o urânio intacto, enterrado sob imensas quantidades de rocha e poeira no fundo da montanha. O relatório é bastante convincente ao afirmar que, por ora, a melhor opção seria deixá-lo enterrado, já que, após o bombardeio, seu estado mais provável é o gasoso.
Retornando ao Estreito de Ormuz, a bomba econômica desencadeada pelo Irã com sua resposta híbrida ao bombardeio recebido, que o eliminou como ameaça militar, causou não apenas uma grande crise econômica no setor de petróleo e gás, mas também gerou uma escassez global de fertilizantes e uma grave ameaça aos preços dos alimentos devido à falta de insumos agrícolas. Isso complica a segurança alimentar, criando insegurança. Vale lembrar que algo semelhante ocorreu após a invasão russa da Ucrânia, dada a importância de ambos os países nesse mercado, bem como no mercado de fertilizantes. Em outras palavras, a crise econômica não afeta apenas os preços dos combustíveis.
Por essa razão, a situação em Ormuz é pior hoje do que a situação criada pela Arábia Saudita e pela OPEP, os países exportadores, na década de 1970, visto que, para a crise atual, não houve embargo de petróleo, de modo que, até o ataque às instalações das monarquias do Golfo, não havia escassez nem de gás nem de petróleo, e para que a crise fosse desencadeada, uma simples ameaça verbal foi suficiente, dada a estreiteza geográfica do local.
O Irã conseguiu muito com suas ameaças, além de cruzar uma linha vermelha que o fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, jamais cruzou. Ele, aliás, incentivou o sequestro de diplomatas em 1979, mas nunca quis submeter o mundo inteiro a essa chantagem, pois entendia que isso era motivo para guerra.
Sabemos que, durante a Guerra Irã-Iraque, ambos os países tentaram interromper a navegação marítima no estreito, que é uma passagem livre segundo o direito internacional, com ataques limitados a minas de contato. Também tentaram, sem sucesso, impedir o acesso do adversário ao estreito. Por fim, em algum momento da década de 1980, os EUA protegeram petroleiros que haviam sido ameaçados.
Além disso, após o fim da URSS, ocorreram encontros entre autoridades soviéticas e americanas daquela época para revisar a Guerra Fria, nos quais surgiram informações que distorcem a narrativa principal, mas que são, no entanto, interessantes, como o depoimento de um importante assessor do Politburo daqueles anos, que testemunhou como o envio de mais tropas para a fronteira da URSS com o Irã foi discutido, mas não aprovado, devido à preocupação com a inação dos EUA diante do radicalismo de Teerã, já que a bem-sucedida reação islamista ao golpe comunista em Cabul e a invasão soviética foram uma surpresa para Moscou.
Em última análise, a ideia de ação preventiva não ganhou força na URSS, uma vez que se percebeu que os eventos no Afeganistão e no Irã eram fenômenos independentes. Contudo, é interessante notar que, segundo um funcionário da Casa Branca da época, um cenário nuclear foi brevemente considerado. Enquanto isso, de acordo com documentos do Politburo, o comunismo soviético foi completamente surpreendido pela ascensão de Khomeini ao poder, pois jamais imaginaram que o Xá seria abandonado em favor de um fundamentalista xiita. Entretanto, sob as condições da Guerra Fria, o clérigo era visto como um contrapeso saudável ao comunismo em alguns setores do diversificado cenário político americano.
É interessante notar que, décadas depois, apesar da relevância adquirida desde então pelas tecnologias alternativas e pela ideologia da mudança climática como um perigo civilizacional, o que não mudou foi a centralidade do petróleo e do gás em um local que os iranianos chamam de Golfo Pérsico e os árabes, de Golfo Arábico.
Da mesma forma, é impressionante que a Europa esteja completamente ausente da resolução do problema, embora a irrelevância demonstrada seja mais um prego no caixão do que outrora foram impérios poderosos, assim como a atitude europeia é mais um prego no caixão da OTAN, especialmente se considerarmos a atitude dos EUA em relação à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Talvez tivesse sido melhor se essa aliança militar tivesse desaparecido com o fim da URSS, pois hoje ela não parece ter qualquer papel significativo no que definirá a geopolítica deste século, ou seja, o confronto pela supremacia global entre a China e os EUA. Além disso, a Europa continua a negar a importância do míssil iraniano que quase atingiu Diego Garcia, no Oceano Índico, demonstrando que os 4.000 km percorridos seriam suficientes para alcançar capitais europeias. No entanto, recusa-se a confrontar o desafio iraniano, apesar de a República Islâmica estar travando uma jihad desde 1979, não apenas contra os EUA e Israel, mas também contra a própria ideia do Ocidente.
No Irã atual, não está claro com quem as negociações poderiam ocorrer e quem realmente detém o poder em Teerã, exceto pela evidente dominância da Guarda Revolucionária no processo decisório. Contudo, a crise do Estreito de Ormuz atraiu tanta atenção em Washington que não há dúvida de que, assim que a questão militar ou a questão de quem está no comando no Irã for resolvida, os EUA buscarão controlar a produção iraniana de uma forma que provavelmente superará o que foi feito com o petróleo venezuelano. Além disso, se o Estreito de Ormuz demonstrou algo, é que, após o ocorrido, soluções permanentes certamente surgirão. Nesse sentido, um ataque às monarquias árabes sunitas do Golfo poderia alcançar o mesmo resultado que o programa nuclear iraniano: que o poder adquirido por meio da atual superioridade aérea de Israel poderia se combinar com a aliança nascente entre os interesses desses países e Israel, potencialmente levando a um novo oleoduto e um gasoduto envolvendo países árabes e Israel. Também poderia incluir Ormuz, já que não só a ilha principal está em mãos iranianas, como também, num ponto ainda mais estreito, existem outras três pequenas ilhas próximas da costa, que são reivindicadas há muitos anos pelos Emirados Árabes Unidos como parte de seu território.
O caso dos Emirados Árabes Unidos é notável pela sua clara compreensão de que, conforme declarado em comunicado oficial, “Teerã representa uma ameaça à segurança global”. Além disso, em comparação com outras monarquias árabes, os Emirados Árabes Unidos têm sido bem-sucedidos em deter a série de ataques do Irã — mais mísseis e drones do que contra qualquer outro país da região. Da mesma forma, têm pressionado por uma estratégia internacional para restabelecer a passagem segura pelo Estreito de Ormuz e proteger o fornecimento de energia.
No entanto, a realidade atual é que existem dois estreitos muito fáceis de bloquear, como já foi demonstrado em detrimento dos árabes: o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab Al-Mandeb, no Mar Vermelho, quando, por exemplo, um grupo pró-Irã como os Houthis do Iêmen não só interrompeu o transporte marítimo, como também atacou os depósitos de petróleo da Arábia Saudita em seu próprio território.
Nesse sentido, as monarquias árabes do Golfo e os EUA possuem recursos suficientes para financiar tanto um oleoduto quanto um gasoduto atravessando a Arábia Saudita e a Jordânia, de modo que os combustíveis do Golfo pudessem chegar a Israel via Aqaba e Eilat, em um caso, e Haifa e o Mar Mediterrâneo, em outro, após passarem perto do Passo de Allenby, de onde poderiam ser enviados com segurança para o resto do mundo. Tal estratégia poderia complementar a aliança existente entre Israel, Grécia, Chipre e outros países que extraem gás do mar para transportá-lo à União Europeia, talvez via Bulgária. Não seria surpreendente se a Turquia também aderisse a esse esforço, especialmente se Erdoğan perder as próximas eleições presidenciais, e o Egito já assinou um contrato para comprar quantidades significativas de gás israelense.
Tudo isso poderia ser amplificado se, em última análise, como consequência da agressão iraniana, as monarquias árabes do Golfo se juntassem à guerra em algum momento, incluindo aquelas com maioria xiita ou aquelas que no passado tiveram uma relação próxima com o Irã, como o Catar, especialmente se ambos forem importantes produtores de gás, o que tanto os EUA quanto Israel acolheriam com satisfação, dado seu poder econômico, já que esta guerra demonstrou o alto custo dos bombardeios realizados contra o Irã e sua infraestrutura.
O Irã foi severamente punido, perdeu o aspecto militar desta guerra, mas pode estar ditando os termos de como ela termina, o que contribui para o notório fato de os EUA terem ido lutar sem um plano político claro para o que viria a seguir, já que, se o regime continuar a governar, essa será a sua vitória, não importa quanta destruição tenha sofrido.
O cenário de guerra desfavorável para o Irã se consolidou após a esmagadora derrota do ano passado, mas a alternativa permanece a mesma: colapso ou negociação, com diversos cenários intermediários dependendo de sua probabilidade. Para negociar com os EUA, o Irã precisa apenas aceitar que não pode possuir armas nucleares, embora Israel agora exija mais — claramente o fim de um regime comprometido com sua própria destruição. De qualquer forma, o Irã luta atualmente por sua sobrevivência, e isso não se trata apenas de um país, mas do que a Revolução Islâmica representou a partir de 1979.
Tudo isso se complica pelo fato de a Guarda Revolucionária atualmente deter o poder no Irã, juntamente com líderes linha-dura que controlam a resposta militar, agora decrescente, graças ao controle que exercem sobre os mísseis, agora descentralizados. São eles, em geral, que rejeitam qualquer sugestão de negociação, implementando uma política de terra arrasada que inclui ameaças contra os Estados árabes do Golfo. Isso dificulta determinar quem realmente está no comando do Irã após a morte do Líder Supremo, o que, na prática, se traduz em militarização, onde o clero foi substituído por uma espécie de ditadura militar, determinada a esmagar toda mobilização popular.
Do ponto de vista militar, a guerra está indo muito melhor do que a grande imprensa americana está disposta a admitir, ainda mais focada em rejeitar tudo o que Trump representa do que em análises imparciais. De fato, os resultados são muito melhores do que os da primeira Guerra do Golfo, que, em 1991, apesar de Saddam Hussein permanecer no poder, recebeu elogios generalizados pela expulsão de seu exército do Kuwait. Hoje, as estatísticas são melhores em termos de tempo de resposta e duração, número de baixas, preços do petróleo, recessão econômica, aeronaves abatidas — praticamente todos os indicadores mostram isso.
É lamentável, em todo caso, quantas pessoas nos próprios EUA prefeririam que a remoção dos aiatolás fracassasse a criticá-los pelo crime cometido contra pelo menos trinta e poucos mil manifestantes que buscavam apenas mais liberdades.
O que Washington não conseguiu fazer foi desenvolver um plano para as consequências, assim como Israel não conseguiu desenvolver um para o Hamas em Gaza, o que resultou em uma situação semelhante à presença contínua dos islamitas no governo iraniano. Essa falta de planejamento também contribuiu para a contínua importância do Estreito de Ormuz, dado o número de aeronaves, navios e soldados que especialistas acreditam ser necessários para reabri-lo — tudo, infelizmente, com resultados incertos, como deixou claro Ehud Barak, o ex-primeiro-ministro. Embora não tenha sido um político muito bem-sucedido, ele foi um dos soldados mais condecorados da história de Israel.
@israelzipper
Mestrado e doutorado em Ciência Política (Universidade de Essex), bacharel em Direito (Universidade de Barcelona), advogado (Universidade do Chile), ex-candidato à presidência do Chile (2013).
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