Diferença entre chegar ao poder e manter o poder em regimes socialistas e narcoestados do século XXI.

Carlos Sánchez Berzaín

Por: Carlos Sánchez Berzaín - 10/08/2026


Compartilhar:    Share in whatsapp

O socialismo do século XXI, o castro-chavismo ou o comunismo do século XXI, sob o disfarce da esquerda, perde governos em países das Américas, mas mantém o poder por meio das leis que impôs, das estruturas e autoridades que estabeleceu, da mudança cultural que implementou, das burguesias que cultivou, da mídia que controlou, dos sistemas judiciais que instalou e das forças armadas e de segurança que corrompeu. Essa realidade nos obriga a lembrar a diferença entre conquistar o governo e exercer o poder.

Poder é "ter a facilidade, o tempo ou o lugar para fazer algo" e representa "ter mais força do que outra pessoa". Poder político, em sentido amplo, é "a capacidade de influenciar, controlar ou tomar decisões em uma sociedade ou sistema político. É a capacidade de uma entidade ou indivíduo afetar a forma como as decisões são tomadas e as ações são executadas, afetando a sociedade como um todo".

Governo é “o ato e o efeito de governar, de comandar com autoridade, de reger, de guiar”. Em um sentido político restrito, refere-se ao “órgão máximo do poder executivo de um Estado ou comunidade política, constituído pelo presidente e pelos ministros ou conselheiros”. Em um sentido mais amplo, refere-se às formas de governo, que geralmente podem ser de dois tipos principais: “democracias e autocracias”, ou seja, “sistemas de consenso ou sistemas de coerção”.

A Carta Democrática Interamericana estabelece como obrigação que “Os povos das Américas têm o direito à democracia e seus governos a obrigação de promovê-la e defendê-la. A democracia é essencial para o desenvolvimento social, político e econômico dos povos das Américas”. Mas este século é marcado pela expansão da ditadura cubana que, a partir de 1999, com a ascensão de Hugo Chávez à presidência da Venezuela, implementou o que se revelou ser o socialismo do século XXI, controlando a Venezuela, a Nicarágua, a Bolívia e o Equador (sob Correa) por meio de seu modelo ditatorial e estabelecendo governos paraditatoriais na maioria dos países da América Latina.

O socialismo do século XXI suplantou a democracia com "ditaduras eleitorais", utilizando o terrorismo de Estado como meio de manter o poder, com pessoas sendo perseguidas, presas, exiladas e assassinadas. O crime substituiu a política, criando narcoestados e narcoterrorismo a partir do controle do poder em Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador e em territórios, estados ou províncias do México, Argentina, Colômbia e outros países.

A necessidade de simplificação apresenta o processo de derrota e a necessidade de acabar com o sistema de ditaduras/narcoestados como uma perda para a esquerda contra a direita na América Latina, mas a realidade objetiva revela o verdadeiro eixo do confronto regional e global: ditaduras contra democracias, autocracias do crime organizado transnacional contra a liberdade e os direitos humanos.

Nessa realidade, os vencedores das eleições assumem o poder, mas, em muitos casos, não o mantêm, permanecendo sob o controle do regime deposto. Isso leva à ingovernabilidade, governos frágeis e, somado às expectativas de sociedades que enfrentam crises econômicas e sociais geradas pelo regime deposto, bem como à conspiração e à atividade criminosa, ao fracasso dos processos de mudança e ao fortalecimento de ditaduras estabelecidas.

Ao chegar ao poder após um regime ditatorial ou paraditatorial do socialismo do século XXI, é essencial compreender que o mandato popular é a transição da autocracia para a democracia, do terrorismo de Estado para o Estado de Direito, do medo para a liberdade, do narcoestado para a segurança cidadã, do centralismo econômico para a livre iniciativa e a propriedade privada, da opressão para o pleno respeito aos direitos humanos. Esses princípios gerais se expressam em ações concretas em todos os países da América Latina.

Para tomar o poder após um regime socialista do século XXI, insisto que — no mínimo — é essencial:

A eliminação da estrutura legal do terrorismo de Estado deve incluir, em casos como Cuba, Bolívia e Nicarágua, a restauração constitucional e, em geral, a alteração das leis que estabeleceram órgãos judiciais que atuavam como executores e assassinos, órgãos legislativos fantoches e forças armadas e de segurança sem doutrina democrática; o restabelecimento das leis e procedimentos de combate ao narcotráfico e um ajuste, baseado no respeito aos direitos humanos, de todo o sistema jurídico, com especial atenção à educação, que vem sendo manipulada há décadas.

Não há impunidade que seja justa. Significa que os violadores dos direitos humanos, os perpetradores de crimes contra a humanidade, os traidores da nação, os narcoterroristas, os torturadores e, em geral, os autores de todos os crimes previstos pelo sistema penal democrático, devem ser responsabilizados por seus atos segundo o princípio do devido processo legal, que eles jamais reconheceram.

Proibir criminosos, organizações e partidos do crime organizado de exercerem atividades políticas é uma forma de proteger a igualdade, que é a base da liberdade.

*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.

Publicado em infobae.com segunda-feira agosto 10, 2026



As opiniões aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores.