
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 17/05/2026
Na Bolívia, o poder pertence ao socialismo do século XXI, ou Castro-Chavismo, instalado por seu operador local, Evo Morales, um sistema no qual nenhum dos elementos essenciais da democracia existe há quase 20 anos.
O presidente Rodrigo Paz assumiu o governo, mas não o poder, e é vítima de uma conspiração que busca derrubá-lo para manter o narcoestado e a impunidade do "chefe" Evo Morales.
O confronto é contra o "crime organizado contra a Nação Boliviana", e a única opção é acabar com as leis da ditadura, não aceitar a impunidade e afastar os criminosos da política.
A violação dos direitos e liberdades das pessoas por meio de marchas, bloqueios, manifestações, agressões criminosas, ataques, massacres, assassinatos, supressão de serviços públicos e várias formas de terrorismo, com uma narrativa de reivindicações setoriais ou sociais, é a metodologia do crime organizado transnacional que, sob o disfarce do populismo e do esquerdismo, suplantou a política pelo crime organizado que, no século XXI, instalou governos narcoterroristas na América Latina.
Ao longo deste século, os governos latino-americanos foram forçados a participar ou a submeter-se ao socialismo do século XXI; isto é, a tornarem-se satélites da crescente ditadura cubana, com sua principal base na Venezuela. Foi nesse contexto que Evo Morales, líder do narcotráfico, chegou ao poder na Bolívia em 2006 e, em 2008, impôs — por meio de falsificação, massacres sangrentos, subjugação da oposição, suborno e fraude — o chamado Estado Plurinacional, que representa a institucionalização de um narcoestado, a perda da soberania e a garantia da impunidade.
Neste sistema plurinacional, chegar à presidência oferece apenas duas opções: continuidade, dentro do sistema do crime organizado; ou mudança, ameaçada pela violência e pela derrubada. Em 2019, a presidente Jeanine Áñez optou pela continuidade, e o sistema de Estados plurinacionais — que nunca perdeu o poder — primeiro a reconheceu, depois se recusou a reconhecê-la e, posteriormente, a prendeu. Diante desse precedente, o presidente Rodrigo Paz optou pela mudança na política externa, mas internamente não consolidou o poder: manteve-se exclusivamente no controle do governo, que os atuais governantes agora buscam tomar dele.
Evo Morales e seu grupo criminoso são responsáveis por mais de duas décadas de falsificação, traição, construção de um narcoestado, tráfico de drogas, terrorismo de Estado, violações dos direitos humanos contra presos políticos e exilados, tortura, assassinatos e massacres sangrentos, como o do Hotel Las Américas, certificado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos; desonra, corrupção, abuso infantil, destruição da economia e desvio de reservas públicas e privadas… Eles cometeram todos os crimes previstos no Código Penal boliviano e em tratados internacionais.
Com esses fatos comprovados, apenas seis meses após Rodrigo Paz assumir a Presidência Plurinacional, Evo Morales e seu grupo criminoso — os detentores do poder e, ao mesmo tempo, os perpetradores da grande tragédia e crise nacional — acusam e violentamente apresentam Paz como responsável pela situação que eles mesmos criaram. Isso não é novidade, pois é simplesmente uma repetição de sua prática transnacional de cometer crimes, assassinar e massacrar, para depois acusar e perseguir suas vítimas.
Diante de uma crise tão grave quanto a da Bolívia, há duas maneiras de proceder: o "gradualismo" ou a "terapia de choque" (implementação de mudanças radicais). Se o país possui instituições sólidas e um governo politicamente coerente, a abordagem gradualista pode ter uma chance; no entanto, em um Estado plurinacional, com instituições regidas por leis impostas para estabelecer uma ditadura, o resultado é uma reação rápida e violenta para manter o narcoestado e garantir a impunidade de seus líderes.
A conspiração e a tentativa de golpe de Evo Morales contra Rodrigo Paz não terão sucesso porque a ordem geopolítica internacional mudou. O golpe de 2003, que forçou a renúncia do presidente Sánchez de Lozada, foi dirigido e orquestrado por Cuba e Venezuela, e apoiado por Lula, do Brasil, Kirchner, da Argentina, Toledo, do Peru, e outros, em um contexto de crescente castro-chavismo e retirada dos EUA. Isso é o completo oposto do presente, em que vemos o desmantelamento da ditadura venezuelana, o ultimato à ditadura cubana e o apoio de governos democráticos a Rodrigo Paz, que faz parte do "Escudo das Américas", criado justamente para combater o crime organizado.
A Bolívia exige mudanças radicais que restaurem a “nação boliviana”, acabem com o narcoestado plurinacional, cessem a impunidade, restabeleçam a ordem republicana de justiça e a independência dos poderes, o sistema eleitoral e muito mais. A conspiração e o golpe de Estado que estamos testemunhando marcam o fracasso da abordagem gradualista observada até agora pelo presidente Rodrigo Paz.
A questão fundamental é que, em uma democracia, consenso e acordo são sempre possíveis, mas quando o crime organizado suplanta a política, a alternativa é prevalecer ou sucumbir. O primeiro passo para derrotar o grupo criminoso na Bolívia é a prisão, o julgamento e a condenação de seu líder, Evo Morales, com o fim dos narcoestados.
*O autor deste artigo é advogado, cientista político e diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.
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