Bolívia, que o desperdício continue.

Hugo Marcelo Balderrama

Por: Hugo Marcelo Balderrama - 13/07/2026

Colunista convidado.
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A desvalorização de 40% do peso boliviano em relação ao dólar, ou o que também foi chamado de "fim do regime de câmbio fixo", confirma de jure o que já era de facto: a perda de valor do peso boliviano.

Mas, como acontece com muitas outras questões econômicas, é necessário esclarecer confusões e quebrar preconceitos, então mãos à obra:

Primeiramente, uma taxa de câmbio fixa não é o mesmo que controle de preços, muito menos um subsídio ao dólar. O peso boliviano é uma moeda fiduciária emitida pelo Banco Central da Bolívia. Portanto, uma taxa de câmbio fixa implica duas coisas: 1) uma salvaguarda para conter a emissão descontrolada de pesos bolivianos e 2) o compromisso da entidade emissora de honrar sua dívida em uma determinada quantia em dólares. É um mecanismo para incentivar a poupança e, principalmente, para salvaguardar a propriedade privada.

Portanto, o problema nunca foi a taxa de câmbio fixa, mas sim o excesso de oferta monetária, que cresceu de forma constante desde 2006, como pode ser observado no gráfico abaixo:

Em segundo lugar, uma taxa de câmbio flexível não é o mesmo que um mercado de câmbio livre; trata-se, na verdade, de um mecanismo intervencionista que confere ao Estado mais poder para manipular a moeda. Simplificando, o Banco Central da Bolívia nos fornecerá uma moeda de menor valor e qualidade, tão ineficiente quanto qualquer monopólio estatal. A esse respeito, Mauricio Ríos García, em seu artigo "Desvalorização Nominal na Bolívia", explica:

A desvalorização nominal significa exatamente isso: permitir que o governo pague um montante e uma qualidade de dívida inferiores aos que se comprometeu inicialmente. Não se trata de um ajuste neutro. É uma forma de repudiar parcialmente a promessa feita àqueles que aceitaram o boliviano como meio de pagamento, poupança ou contrato. O Estado entrega menos valor real do que o prometido quando emitiu a moeda.

Em terceiro lugar, as desvalorizações não impulsionam as exportações, muito menos o crescimento. Pelo contrário, ao desvalorizar a moeda, dificultam a poupança. Além disso, a realidade observável mostra que as nações que mais desvalorizaram suas moedas foram as que mais exportaram pessoas pobres, como, por exemplo, a Venezuela.

Por fim, a desvalorização não fará com que dólares apareçam magicamente nas contas bancárias, visto que as reservas em moeda estrangeira que os cidadãos mantinham no sistema financeiro têm sido canalizadas para gastos governamentais perdulários desde 2014. Em resumo, os depositantes em dólares enfrentam um dilema: se sacarem dólares, encontrarão a escassez existente, mas se os converterem em bolivianos à nova taxa de câmbio, receberão mais moeda sem valor. De qualquer forma, o governo roubou parte da nossa riqueza.

Em suma, a única certeza que nós, bolivianos, temos é que o governo de Rodrigo Paz dará continuidade ao desperdício de dinheiro público iniciado por Evo Morales e intensificado por Luis Arce.


As opiniões aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores.