
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 05/07/2026
O crime organizado transnacional, que suplanta a política e exerce poder através do narcoterrorismo, está sendo derrotado nas Américas. Estamos testemunhando ações históricas para pôr fim às ditaduras na Venezuela, em Cuba e na Nicarágua, enquanto candidatos paraditatoriais estão sendo derrotados no Equador, em Honduras, no Chile, na Bolívia, na Costa Rica, no Peru e na Colômbia. O socialismo do século XXI pode abrir mão do governo, mas não do poder, pois mantém suas leis, a impunidade e permanece uma força política. Para restaurar a democracia, é necessário que haja boa governança para que se chegue ao poder.
Ao longo dos últimos 25 anos, todos os países da América Latina foram vítimas da substituição ou erosão de seus sistemas democráticos pela operação transnacional conhecida como socialismo do século XXI, que nada mais é do que a expansão da ditadura cubana utilizando recursos venezuelanos para facilitar a penetração de ditaduras extra-hemisféricas. Em mais de duas décadas, constituições, leis fundamentais, sistemas eleitorais, instituições econômicas e regulatórias, o arcabouço institucional das forças armadas e da polícia, sistemas de segurança, política externa, órgãos do poder público como o judiciário, mecanismos de nomeação de juízes e magistrados, sistemas de contratação e muito mais foram alterados.
Em países como Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua, os sistemas institucionais e jurídicos correspondem à estrutura do socialismo do século XXI, com leis infames que violam os direitos humanos, com mecanismos que fazem desaparecer os elementos essenciais da democracia, com sofismas, substituições e métodos que simulam a democracia quando, na realidade, a suprimem.
Em países como Argentina, Peru, Colômbia, Chile, Honduras e outros, o socialismo do século XXI instalou seus agentes no sistema judiciário, nas forças armadas, na polícia e nos sistemas de segurança, a tal ponto que, quando ocorre uma mudança de governo, a maior oposição consiste na real impossibilidade de exercer o poder, deixando o governante forçado a acordos que garantem a impunidade e a permanência do crime organizado na política.
Em países como Colômbia, Peru e Bolívia (os três maiores produtores de cocaína do mundo), eles chegam a controlar parte do território nacional com organizações narcoterroristas apresentadas como sindicatos ou federações de produtores de coca, com guerrilhas como as FARC e o ELN, ou com organizações que se apresentam como sociais ou camponesas, mas que na realidade violam a soberania nacional ao criarem feudos ou minirrepúblicas onde o governo simplesmente não exerce poder.
Em todos os casos e países, os regimes socialistas do século XXI utilizam como estratégia para impedir que o novo governo governe, a manutenção de sua estrutura de poder e de seus agentes, com o objetivo de minar, derrotar, derrubar ou substituir o novo governo. Trata-se de uma conspiração permanente que se aproveita do sistema que estabeleceram, o qual o novo governo não tem a determinação ou a capacidade de desmantelar, pondo fim à presença criminosa na política e restaurando os elementos essenciais da democracia.
Governança é “a capacidade de governar”, a “qualidade de ser governável”. É a “capacidade de um governo de exercer autoridade, implementar políticas e garantir ordem, estabilidade e desenvolvimento dentro de um Estado”. A governança “é avaliada em termos de estabilidade, eficácia e legitimidade”.
Reitero que, para pôr fim aos regimes do socialismo do século XXI e restaurar a democracia em todos os países da América Latina, são necessárias pelo menos três condições: a eliminação da estrutura legal ditatorial, o fim da impunidade e a criminalização do crime organizado na atividade e participação política. Sob a estrutura legal do socialismo do século XXI, é impossível que um governo democraticamente eleito seja governável e, se sobreviver, será à custa da concessão da impunidade e da tolerância à presença contínua de organizações criminosas na política, como demonstrado pelos governos de Macri na Argentina, Lasso no Equador, Kuczynski, Bolívar e outros no Peru, e Áñez na Bolívia.
Após mais de duas décadas de governantes e governos ditatoriais, tolerantes à desinstitucionalização e que sacrificaram os elementos essenciais da democracia, os presidentes e governos que substituírem o socialismo do século XXI na América Latina devem ser bons governos.
A boa governança na realidade atual consiste, no mínimo, no retorno à validade dos elementos essenciais da democracia e das instituições republicanas como um sistema que permita o respeito aos direitos humanos, sem presos políticos, sem perseguidos ou exilados, com segurança jurídica, restaurando o Estado de Direito, desmantelando os narcoestados, enfrentando as crises econômica, de segurança e de confiança, e superando a corrupção e sua consequência, a impunidade, que é sinal de cumplicidade.
A população tem esperança, mas precisa sentir a mudança tanto na superestrutura política e social quanto no dia a dia. Precisa recuperar a confiança e acreditar que pode viver melhor. Cada país tem problemas específicos, mas as reivindicações dos cidadãos são as mesmas. Alguns países estão conseguindo isso, outros não, e alguns ainda enfrentam o desafio. Não é fácil, mas não há alternativa.
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