
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 28/06/2026
A 56ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acaba de ser concluída no Panamá, demonstrou a irrelevância a que se encontra devido à sua incapacidade de cumprir seus objetivos e princípios. Reduzida a uma burocracia incapaz de identificar os regimes da Nicarágua e de Cuba como ditaduras, a OEA tornou-se um refúgio para o socialismo do século XXI, ou castro-chavismo. Uma OEA desacreditada, subfinanciada e sem liderança tem a opção de implementar reformas fundamentais focadas na defesa dos direitos humanos e da democracia, ou enfrentar seu próprio declínio.
A Primeira Cúpula das Américas, em 1994, inaugurou uma nova era de fortalecimento da OEA, ao alcançar um consenso sobre uma agenda focada em liberdade, democracia, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, livre comércio, combate ao narcotráfico e ao crime, entre outros temas. As Américas, compostas por 35 países, incluíam 34 democracias e a ditadura cubana, que se aproximava do fim do seu chamado Período Especial, após a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
O capitalismo havia derrotado o comunismo, a Guerra Fria havia terminado e a ideia de uma América unida, baseada nos princípios da liberdade e da democracia, constituía a política externa bipartidária dos Estados Unidos, promovida pelo presidente republicano George H.W. Bush e continuada pelo democrata Bill Clinton. Nessas condições, previa-se que “o século XXI seria o século da plena democracia para as Américas”, com a restauração da liberdade para o povo cubano. Assim nasceu a Carta Democrática Interamericana, assinada em Lima, Peru, em 11 de setembro de 2001, mesmo dia em que os Estados Unidos foram alvo de ataques terroristas em seu território (11/9).
A chegada de Hugo Chávez à presidência da Venezuela em 1999 levou à reativação e à preservação da ditadura cubana. Sob a liderança de Chávez, como parceiro capitalista com o petróleo e a riqueza venezuelana, Fidel Castro, com sua metodologia de terrorismo de Estado para um governo indefinido, e Lula da Silva, com o Foro de São Paulo, uniram forças, produzindo o movimento bolivariano populista que culminou no socialismo do século XXI, ou Castro-Chavismo. Esse movimento expandiu a ditadura cubana para a Venezuela sob Chávez e Maduro, para a Bolívia sob Morales e Arce, para a Nicarágua sob Ortega e Murillo e para o Equador sob Correa.
O século XXI, idealizado como o século da plena democracia nas Américas, acabou sendo, até 2025, o século da expansão da ditadura cubana, de ditaduras narcoestatais que são atores e promotoras do crime organizado transnacional, com guerra híbrida contra as democracias da região, com discurso anti-imperialista, com violação institucionalizada dos direitos humanos, aplicação sistemática do terrorismo de Estado como método de governo, migrações forçadas de povos oprimidos, tráfico de pessoas e muito mais.
Nesse contexto, a OEA tornou-se um alvo central da expansão ditatorial que começou com a deposição do Secretário-Geral Miguel Ángel Rodríguez, ex-presidente da Costa Rica falsamente acusado de corrupção e recentemente absolvido, mas que foi forçado a renunciar. Seguiu-se a operação de compra de votos com petróleo venezuelano (Petrocaribe), culminando na nomeação de Insulza como Secretário-Geral (2005-2015). Insulza serviu a Chávez e Castro, violando os princípios e objetivos da OEA e ignorando a Carta Democrática Interamericana. O governo Insulza orquestrou a tomada de controle de órgãos e instituições da OEA, incluindo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
O Secretário-Geral Almagro (2015-2025) restaurou a verdadeira natureza da OEA com os "Relatórios Almagro", que comprovam a ditadura na Venezuela, com a caracterização de Cuba como uma "ditadura prostituta", com a tentativa de ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) e com a recuperação da liderança interamericana que reacendeu as esperanças frustradas na Venezuela com Guaidó e na Bolívia com Añez. Almagro identificou e agiu de acordo com a realidade objetiva das Américas, divididas entre ditaduras do socialismo do século XXI e democracias sitiadas por agressões ou controladas por governos para ditatoriais.
Em 2025, Trump assumiu a presidência dos EUA, alterando a política externa e a geopolítica regional e global, o que se refletiu na "Estratégia de Segurança Nacional", que reinstaurou a "Doutrina Monroe" com o "Corolário Trump". Operações como a Operação Lança do Sul, a captura do ditador Maduro, a eliminação do líder da gangue Tren de Aragua, a ativação da luta contra o narcoterrorismo mesmo em países com governos para ditatoriais como o México de Sheinbaum, a Colômbia de Petro e o Brasil de Lula, o ultimato contínuo à ditadura cubana e a revogação do visto do chefe de gabinete de Albert Ramdin, o atual secretário-geral da OEA, devido a acusações de corrupção, representam uma mudança de um paradigma pró-ditatorial para um de liberdade.
Com as conclusões e acordos de sua 56ª Assembleia Geral, a OEA demonstrou falta de compreensão da mudança geopolítica e do momento histórico atual. A menos que retome vigorosamente a defesa da liberdade e da democracia, denuncie claramente as ditaduras transnacionais do crime organizado e tome medidas concretas para acabar com elas, corre o risco de perecer por não atingir seus objetivos. A irrelevância de uma organização internacional não significa o fim do multilateralismo.
*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.
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