A dolarização é o caminho.

Hugo Marcelo Balderrama

Por: Hugo Marcelo Balderrama - 29/07/2026

Colunista convidado.
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A Bolívia é historicamente um país instável. Tudo já aconteceu aqui: guerras internacionais, guerras civis, linchamentos de presidentes e diversas crises econômicas dignas de estudo; além disso, não podemos esquecer que atualmente somos um território disputado por várias organizações criminosas. Mas agora vamos falar sobre nossa situação econômica atual.

Por mais de duas décadas, o modelo imposto por Evo Morales, Luis Arce Catacora e uma série de ideólogos cubanos consistiu em um avanço agressivo do Estado contra as liberdades dos cidadãos. Havia várias frentes de ataque: por exemplo, as receitas do gás foram nacionalizadas, os fundos de pensão foram alvo de intervenções arbitrárias, as reservas internacionais foram saqueadas impiedosamente e o setor financeiro foi forçado a se converter à moeda boliviana. Tudo isso fez com que a oferta monetária — a quantidade de notas em circulação na economia nacional — aumentasse a cada ano. Em outras palavras, o que a ditadura chamava de "milagre" era meramente inflação passiva, aquele momento em que o dinheiro recém-impresso cria a impressão de que tudo está indo muito bem.

No entanto, como nenhuma fantasia pode ser sustentada indefinidamente, a realidade, há quase três anos, nos mostra que a confiança na moeda local vem despencando, com a taxa de câmbio atingindo 15 baht por dólar, seguida por um breve alívio em que caiu para 9,70 baht, embora o governo insistisse em manter uma taxa de câmbio oficial de 6,96 baht. Logo, o fim da taxa de câmbio fixa significou aceitar de jure o que já era de facto.

Aqui, surge uma pergunta: era realmente necessário desvalorizar a moeda, como certos setores insistiam em exigir?

Resposta curta: não. A melhor opção era seguir o caminho da dolarização.

A dolarização é um processo de anulação ou substituição monetária, no qual uma economia substitui sua moeda original pelo dólar americano, retirando efetivamente a moeda nacional de circulação. A esse respeito, Mauricio Ríos García, em seu artigo "A Bolívia Pode e Deve Dolarizar-se Desta Forma", explica:

A dolarização da Bolívia não é uma fantasia tecnocrática ou uma abstração acadêmica reservada a debates entre economistas. Pelo contrário, é a consequência lógica e moral de uma economia que, apesar das ilusões intervencionistas dos poderes políticos, já está de facto dolarizada. O país não possui uma moeda nacional genuína, nem em termos econômicos, jurídicos ou morais.

Mas o que significa dizer que o peso boliviano não é uma moeda genuína?

Em resumo, o boliviano deixou de cumprir sua função como reserva de valor e unidade de conta, visto que poupar em uma moeda afetada pela inflação é arriscado e também não permite cálculos econômicos estáveis. Consequentemente, os preços de mercado estão em constante ascensão. Em suma, e parafraseando Javier Milei: "o dólar não tem teto porque o boliviano não tem piso".

O caminho para a dolarização é curto, ainda mais curto do que a tentativa de salvar o peso boliviano:

Basta um simples decreto supremo que reconheça o dólar como moeda corrente para a celebração de contratos e o pagamento de salários. Também não é necessário proibir o boliviano: basta que o Estado aceite dólares para o pagamento de impostos, assine contratos em dólares e garanta seu uso irrestrito no comércio e nas finanças públicas.

A Lei 393 precisa ser revogada para restaurar a plena liberdade do setor financeiro de definir as taxas de juros com base na quantidade de poupança disponível. Isso eliminaria as regulamentações abusivas que regem os empréstimos imobiliários e produtivos.

E de onde virão os dólares?

Vamos esclarecer algo: existem dólares na Bolívia, e é por isso que a taxa de câmbio é de 11 bolivianos. Na verdade, os bolivianos têm cerca de 10 bilhões de dólares guardados — em seus bolsos, debaixo do colchão, em cofres e em contas no exterior, mas não no sistema financeiro nacional. Portanto, o que falta é confiança para que esses dólares voltem a circular.

Em conclusão, este é o melhor momento para dolarizar, porque a realidade nos mostra que o peso boliviano não tem qualquer credibilidade; é um morto-vivo sendo forçado a andar.


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