
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 12/07/2026
Sem um povo, sem uma economia, sem uma narrativa e sem opções, a ditadura cubana continua a exercer terrorismo de Estado, mantendo-se no poder há mais de 67 anos e cinco anos após o levante popular de 11 de julho. Em recuo após sua expansão nas Américas como socialismo do século XXI, que impôs seu modelo criminoso na Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Equador e governos subservientes ou paraditatoriais, a tirania castrista é sustentada pelas ditaduras do Irã, China e Rússia, desafiando a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o Corolário Trump.
A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, publicada em novembro de 2025, seção 3, intitulada “As Regiões”, declara: “Hemisfério Ocidental: O Corolário Trump à Doutrina Monroe. Após anos de negligência, os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e proteger nosso território e nosso acesso a áreas geográficas estratégicas em toda a região. Impediremos que concorrentes de fora do hemisfério mobilizem forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou que possuam ou controlem ativos estrategicamente importantes em nosso hemisfério. Este ‘Corolário Trump’ à Doutrina Monroe representa uma restauração poderosa e sensata do poder e das prioridades dos Estados Unidos, em consonância com nossos interesses de segurança nacional.”
Nesse contexto de segurança nacional dos EUA, os “concorrentes fora do hemisfério” são principalmente as ditaduras do Irã, da China e da Rússia, que já foram destituídas do controle e das operações que exerciam na Venezuela por meio da ditadura cubana. Desde a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2025, tanto Cuba quanto as ditaduras fora do hemisfério perderam o petróleo venezuelano, cessaram sua presença física, seu acobertamento do narcoterrorismo, sua influência geopolítica, sua fabricação e tráfico de armas, sua espionagem, sua conspiração regional e muito mais.
Apenas alguns meses após sua publicação, a Política de Segurança Nacional dos Estados Unidos provou ser a segurança das democracias das Américas. Isso é evidenciado por operações de combate ao narcoterrorismo, como a Operação Lança do Sul, a iniciativa Escudo das Américas e os relatos quase diários de operações contra o crime organizado transnacional e o narcoterrorismo em todos os países das Américas, com exceção das ditaduras de Cuba e Nicarágua. O apoio político e econômico, bem como a participação de agentes de inteligência, policiais e militares dos EUA, está crescendo, com resultados refletidos na gradual retirada do crime organizado da política, como evidenciado por prisões, extradições e resultados eleitorais como os do Chile e da Colômbia.
O socialismo do século XXI, como figura política de proa da expansão da ditadura cubana, está em crise, mas não foi derrotado nem deixou de existir. Opera vigorosamente, entrincheirando-se em “oposições políticas” para proteger os infames sistemas jurídicos que impôs e para manter a impunidade, como acontece na Argentina contra Milei, no Equador contra Noboa, como se anuncia no Peru contra Fujimori, e outros; há situações ainda mais críticas, como a da Bolívia, onde Paz assumiu a presidência, mas não o poder, que permanece controlado pelo narcoestado da organização criminosa transnacional que, por ora, permite sua coexistência.
Existem governos democráticos que se manifestaram veementemente contra a ditadura cubana, mas a maioria das democracias latino-americanas mantém um silêncio que equivale à cumplicidade. O mesmo se aplica às relações internacionais com o Irã, a China e a Rússia, que penetraram, se estabeleceram e cresceram exponencialmente por toda a América Latina com o patrocínio cubano, por meio do controle que o socialismo do século XXI, ou castro-chavismo, exerce na região nos últimos 20 anos. As democracias latino-americanas mantêm suas relações internacionais e presença com o Irã, com algumas exceções.
Desde a captura de Maduro, a ditadura cubana derrotada e expulsa da Venezuela sabe que é o alvo, e o ultimato dos Estados Unidos foi claro. Mas, enquanto ganha tempo negociando com o governo Trump, o castrismo resiste aos governos paraditatoriais do Brasil sob Lula, do México sob Sheinbaum e, tendo sido derrotado no Equador, Chile e Colômbia, conspira e desestabiliza os mesmos países, como Peru, Paraguai, Panamá e a própria Venezuela, mantendo o controle da Bolívia. Através da Nicarágua, penetra na América Central, e assim por diante, num jogo de "ceder terreno tático para ganhar tempo estratégico".
Com seus aliados extra-hemisféricos Irã, China e Rússia, a ditadura de Castro pressiona para prejudicar a imagem do governo americano, enquanto continua a travar uma guerra híbrida contra os Estados Unidos, utilizando mecanismos que vão da desinformação à sua expertise em conspirações, tentativas de assassinato e escalada de conflitos.
Diz-se que prolongar a guerra no Irã protege a ditadura cubana e atrasa as decisões dos EUA; isso pode ser possível, mas a verdade é que, com a ditadura cubana e em Cuba, as ditaduras do Irã, da China e da Rússia "mantêm forças ameaçadoras e outras capacidades, além de possuírem e controlarem ativos de importância estratégica em nosso hemisfério", desafiando o Corolário Trump e mantendo a agressão contra os Estados Unidos.
*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.
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