
Por: Pedro Corzo - 09/06/2026
Colunista convidado.O apóstolo cubano José Martí escreveu um dos livros mais representativos de sua grandeza, "La Edad de Oro" (A Idade de Ouro), em 1889, uma publicação que ele inicialmente concebeu como uma revista cultural dedicada às crianças da América. Teve apenas quatro edições, mas, apesar de sua brevidade, deixou uma marca profunda em seus leitores.
A infância é tempo de sonhar e brincar, a juventude é tempo de começar a cumprir a tarefa da vida, um caminho que pode ser muito complicado e até traumático, porém, todos devemos percorrê-lo, porque só assim “a morte não é real”.
Em qualquer lugar do mundo, os jovens, especialmente onde os direitos civis estão ameaçados, são os primeiros a abraçar sonhos impossíveis sem se importar com as consequências. No entanto, em democracias, quando o gozo das liberdades não está ameaçado, a maioria dos jovens tende a viver num estado de tranquilidade que os leva a adiar o cumprimento de seus deveres cívicos. Contudo, existem exceções notáveis, como pudemos constatar no Primeiro Encontro Internacional de Jovens com a Memória Histórica Cubana, realizado recentemente na Florida International University.
Aquele primeiro encontro, convocado por diversas instituições de exilados cubanos, foi presidido e organizado pelo Dr. Daniel Pedreira, um jovem com um forte senso de dever. Pedreira reuniu, tanto virtualmente quanto presencialmente, um grupo notável de jovens que viviam em diferentes países, unidos pelo objetivo comum de reconstruir a república que perdemos.
O evento ocorreu ao longo do dia e foi organizado em cinco grupos de trabalho que abordaram diferentes temas: Memória histórica nas redes sociais; Pesquisa histórica no pós-totalitarismo; Exílio como reservatório, fonte de tradições e luta pelos valores da nação cubana; A recuperação e restauração da história de Cuba; Resistência e luta pela democracia: perspectivas das novas gerações sobre o legado totalitário.
Foi impressionante ver tantos jovens discutindo o futuro de Cuba; muitos deles, como o próprio Pedreira, nasceram longe da ilha e, no entanto, conheciam a história e falavam fluentemente o idioma de seus avós e pais sobre o passado e o futuro de sua pátria comum.
Foi muito gratificante ouvi-los falar. O esforço que seus antepassados fizeram para garantir que eles não perdessem suas raízes foi frutífero, e espera-se que eles contribuam, como muitos expressaram, para a construção de um país melhor, ao mesmo tempo que continuam a contribuir para o progresso da nação em que residem.
Representantes de outras gerações estiveram presentes, embora com participação bastante tangencial, entre eles Ramiro e Carmen Gómez, os irmãos Ángel e Armando de Fana, Saturnino Polon, Sebastián Arcos Cazabon, diretor do Instituto de Estudos Cubanos da FIU, uma das instituições patrocinadoras do encontro, Luz Martínez e Enrique Ruano.
A experiência foi muito significativa. Ouvir o jovem Pedro Pérez falar sobre suas experiências na Ucrânia e a importância de trabalhar pelo futuro de Cuba, ouvir a Sra. Yoryana Lima, que deixou Cuba há alguns anos, falar sobre suas esperanças por um futuro melhor para o nosso país, foi emocionante e inspirador. Foi igualmente comovente ver o ator Ricardo Becerra, que trabalhou no filme "Plantados", expressar como adquiriu uma compreensão muito mais profunda da crueldade e das injustiças do totalitarismo enquanto trabalhava naquele filme, razão pela qual continua a denunciar seus abusos. Ele convence a todos de que as muitas vidas perdidas nesta luta pela democracia em Cuba, e o encarceramento de tantas outras, não foram em vão. Como comentou a ativista Kiele Cabrera: "Estamos todos unidos na criação de estratégias para combater as narrativas do regime e preparar a transição democrática em Cuba."
É verdade que a juventude não volta, mas o que semeamos nela pode ser útil para o futuro de muitos, inclusive o nosso. Seria muito benéfico para os cubanos repetir essa experiência, que foi conduzida com tanta maestria, e para os políticos do nosso hemisfério concederem espaços públicos às novas gerações de seus respectivos países. A juventude é um tesouro divino, e o que semeamos nela dura para sempre.
Obrigado a Arcos Cazabon, Ángel de Fana e aos médicos Ramon Barquin e Daniel Pedreira pelo esforço com tão excelentes resultados.
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