
Por: Hugo Marcelo Balderrama - 15/06/2026
Colunista convidado.É verdade que os assaltantes de estrada, que bloqueiam a Bolívia há 40 dias, contam com amplo apoio logístico e financeiro para cometer seus crimes. No entanto, como explica Grover Colque em seu livro *Bolívia, Ameaça Assimétrica às Américas*, existe um grupo que, assim como os moradores das cidades, sofre todo tipo de abuso: refiro-me às pessoas comuns das áreas rurais do país. Mas a isso devemos acrescentar um fator agravante: a coerção.
Na Bolívia, as pequenas propriedades agrícolas são voltadas para o sustento do produtor e de sua família. Elas cumprem uma função social e, portanto, são indivisíveis, inapropriadas e irreversíveis. Além disso, não estão sujeitas a impostos. Seu tamanho pode variar dependendo da atividade exercida e da região específica do país onde estão localizadas. No caso das terras baixas do país, como a Amazônia, as pequenas propriedades agrícolas podem atingir um tamanho máximo de 50 hectares, enquanto as pequenas propriedades pecuárias têm um tamanho máximo de 500 hectares.
Por outro lado, as propriedades agrícolas de tamanho médio, que nas terras baixas podem atingir 500 ou 2500 hectares se dedicadas à agricultura ou à pecuária, respectivamente, são entendidas como aquelas que, além de sustentar a família do proprietário, destinam-se à produção para o mercado.
Da mesma forma, Cristian Aramayo, em seu artigo "Terra e Poder", afirma:
Se a terra é uma fonte de poder, o que significa que 97% do território de Potosí esteja sob propriedade coletiva? Quem se beneficia do fato de que mais de 83% do território de Chuquisaca e Cochabamba esteja sob propriedade coletiva? A estrutura de propriedade da terra não tem relação com o fato de que esses três departamentos apresentam os maiores índices de pobreza da Bolívia?
Além disso, a Constituição Política proíbe os povos indígenas de venderem suas terras. O Artigo 395 afirma textualmente: "São proibidas a concessão dupla de terras e a compra, venda, troca e doação de terras concedidas como dotação."
É importante esclarecer um ponto aqui: aqueles que não podem hipotecar, trocar ou vender suas terras não são proprietários; seu status é o de arrendatários das terras comunitárias. Portanto, não deve nos surpreender que membros da comunidade sejam mantidos reféns por ditaduras sindicais, intimidados pela ameaça de perderem suas terras caso não obedeçam às diretrizes do coletivo. Esses são, essencialmente, territórios controlados por um cafetão ou chefe de gangue, onde ele é a lei.
Agora você entende por que sindicatos, ONGs e ativistas socialistas se opuseram à possibilidade de modificar a propriedade da terra? O único interesse deles era manter milhões de bolivianos na pobreza, pois sabiam que mudar essa situação os deixaria sem empregados domésticos e escravos.
Além disso, é preciso destacar outra das grandes hipocrisias da esquerda indígena, pois, segundo suas posições, os povos indígenas bolivianos possuem uma sabedoria ancestral infinita, mas nunca lhes permitem ser livres. É como reduzi-los a uma excêntrica atração antropológica.
A situação não é melhor para quem mora na cidade. Aliás, a carga tributária imposta pelo governo central e pelas prefeituras nos obriga a trabalhar quase quatro meses só para pagar impostos. Quem se aventura pelo caminho arriscado de abrir um negócio legal enfrenta uma situação ainda pior.
Juan Bautista Alberdi, o pai da Constituição argentina de 1853, declarou: "A propriedade privada é a diferença entre a barbárie e a civilização". É hora de a Bolívia começar a debater essa diferença, porque milhões de bolivianos precisam se libertar da tirania dos chefes sindicais.
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