Poder e poderes vs. poderes e poder

Luis Beltrán Guerra G.

Por: Luis Beltrán Guerra G. - 15/09/2025


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Em um contexto original, "poder" poderia ser definido como "aquilo de que tudo depende". Se perguntássemos onde ele pode ser encontrado, responderíamos "em todos os lugares". Ou seja, com o advérbio "em todos os lugares". Em linguagem mais simples, responderíamos que ele é observado, notado, exercido e até temido, sem exceção, nos diversos setores da sociedade e, essencialmente, nas relações cotidianas entre os indivíduos que o compõem. Também é identificado, com lógica sólida, como uma "superestrutura".

Na opinião de Jorge Carrizo, que serviu como embaixador do México na França, "poder" é a capacidade de uma pessoa influenciar sua convivência com outras. É um processo aberto, mas interminável, seja na democracia, no socialismo ou em qualquer outro sistema, sob qualquer perspectiva. Geralmente, anda de mãos dadas com o Estado, cada um servindo como fonte do outro, em um longo caminho rumo a "um acordo majoritário", que geralmente se reflete em uma constituição e nas leis dela derivadas. Consequentemente, lemos que o "poder" é um fenômeno geral que se manifesta em todos os setores da sociedade. E, de acordo com a "ética cristã", foi concedido ao homem exercê-lo em subserviência ao amor a Deus e ao próximo. Mas com a devida advertência de que deve ser impedido de se tornar um "demônio da destruição". Sua sabedoria, devemos deixar claro, está condicionada ao seu serviço contínuo ao crescimento do indivíduo e da sociedade que deriva de seus esforços.

As ideias apresentadas a respeito do poder nos levam a "as potências", razão pela qual devemos esclarecer em que sentido uma causa a outra, hipótese que não é inteiramente simples se tivéssemos que determinar qual das duas vem primeiro, ou seja, se "poder gera poder ou vice-versa". Entendemos que, na linguagem política, em relação a esta última, três palavras definem, no contexto deste ensaio, a mais respeitada e até temida, ou seja, "as potências mundiais", entendendo-se que se refere aos países descritos como "potências mundiais" e, consequentemente, àqueles cujas disposições, dado seu poderio militar, econômico e de bem-estar social, são decisivas para a paz da humanidade, mas também, em ocasiões que não faltaram. Felizmente, na linguística, aparentemente encontramos uma espécie de alívio, pois lemos que "as potências mundiais" constituem linguisticamente "uma frase substantiva, não uma sentença completa". Queira Deus que a primeira se refira a algo, do mais insignificante, nas ações dos países que dominam o mundo.

A potência mundial ou “grande potência”, como também é chamada, é chamada, em princípio, a se tornar instâncias de organizações internacionais ou de países considerados singularmente, para possibilitar uma mudança: 1. Uma mutação em outra ou em si mesma, 2. Uma mudança para melhor, em vez de para pior e 3. Na literatura, a “potência mundial ou grande potência” costuma ser definida, portanto, como “o qualificador atribuído a um Estado ou entidade política que tem a capacidade de influenciar em escala global por meio de seu poder militar ou econômico. Sua influência é exercida na diplomacia internacional: suas opiniões devem ser levadas em consideração por outras nações antes de tomar medidas diplomáticas ou militares. Uma característica de “uma grande potência” é a capacidade de intervir militarmente em qualquer lugar. Além disso, as grandes potências têm uma influência cultural que se manifesta na forma de investimentos em partes menos desenvolvidas do mundo. Pode-se arriscar, em busca de uma definição, que “poder e poder se alimentem mutuamente”, de modo que cada um dependa do outro. Isolados não gerariam as mesmas consequências.

Em um estudo interessante, o professor espanhol Luis V. Pérez Gil afirma que, quando usamos o termo "poder", buscamos determinar em que medida, no contexto das relações entre países hoje, sua própria soberania não é sacrificada. Aqueles com maiores recursos econômicos e populações têm maior influência fora de suas fronteiras, maior segurança contra pressões, ameaças e ataques militares e, em última análise, maior prestígio e um campo de escolha mais amplo no desenvolvimento e execução de sua política externa. Por outro lado, um Estado pequeno é mais vulnerável, menos resistente a pressões externas e tem maiores limitações em suas opções políticas, devendo, portanto, manter um vínculo mais restritivo entre suas políticas interna e externa. O acadêmico distingue três tipos de nações: 1. Aquelas cujo principal interesse reside em si mesmas, de modo que a força que podem desenvolver se limita a uma esfera geográfica muito restrita; 2. Estados com influência em um setor específico das relações internacionais de natureza regional e que, por essa razão, têm sido tradicionalmente classificados como potências "médias" ou "regionais"; e 3. O terceiro tipo de Estados são aqueles cujos recursos, interesses e capacidades militares são tais que podem fazer sentir sua influência em todos os assuntos mundiais e alcançar seus objetivos de forma mais completa. Para o professor Pérez Gil, as "grandes potências".

Não seria exagero dizer que a humanidade demonstra uma competição acirrada quando se trata de classificar países como "potências mundiais". Os primeiros lugares foram conquistados durante a chamada "Guerra Fria", como lemos, um prolongado conflito político, ideológico e econômico que se desenvolveu após a Segunda Guerra Mundial entre os Estados Unidos (bloco capitalista) e a União Soviética (bloco comunista). Também está escrito que "no século XX", a categorização beneficiou a Alemanha, os Estados Unidos, a França, a Itália, o Japão, o Reino Unido e a União Soviética. O processo levou, "por enquanto", os Estados Unidos e a União Soviética a se tornarem superpotências, mas a desintegração desta última levou os EUA a assumir a liderança. O processo não parou por aí, já que os Estados Unidos, durante as primeiras décadas do século XXI, foram descritos como "a principal potência mundial" em termos de PIB nominal e força militar e tecnológica. Mas, no início do século XXI, a China é vista como tendo potencial para desafiar o poder americano.

O autor destas linhas acredita que a humanidade estaria melhor sem "potência(s) mundial(is), mas também está convencido de que imaginar tal coisa é utópico, visto que há inúmeras evidências de que a guerra está no sangue, por isso parece prudente afirmar que as batalhas continuarão mesmo após o fim do mundo. No livro "Sobre a Guerra", afirma-se que o General Karl von Clausewitz, um alemão, filho de um membro do exército de Frederico, o Grande, ingressou na academia como soldado ainda jovem. Em suas façanhas, achamos extremamente peculiar que, em 1812, ele tenha decidido se juntar ao exército russo, "porque o confronto com seu próprio país" significava, para ele, usar a guerra para libertar a Alemanha, sua pátria, do domínio francês. Para sua satisfação, a Batalha de Leipzig significou a extinção da influência francesa sobre a Alemanha, e ele retornou ao exército prussiano em 1814, com o qual pôde testemunhar a triunfante Batalha de Waterloo.

Também interessante em relação à questão da guerra é o livro de Mario Vargas Llosa, "A Guerra do Fim do Mundo", descrito como "um emocionante afresco de aventura, uma reconstrução histórica soberba e uma obra literária habilmente construída". É um evento histórico, uma revolta popular, de cunho religioso, paradoxalmente revolucionária e reacionária, que ocorreu na região nordeste do Brasil no final do século XIX.

Questionar sobre a legitimidade da estruturação do “poder” para se tornar “poder” leva-nos a especificar: 1. Por quê e 2. Para quê. Respostas, as louváveis: 1. Em nome da paz para a humanidade, 2. Por uma igualdade social aceitável, 3. Para acabar com o flagelo da fome, 4. Por democracias reais e 5. Por uma humanidade melhor.

Não se pode ignorar que a América Latina, um continente não imune a erros, alguns deliberados, outros não, enfrenta uma crise arrasadora neste início de século, decorrente de crises anteriores. Hoje, ela é colocada pelas grandes potências "no centro de uma verdadeira narcoeconomia", alimentada pelo "tráfico de drogas" que, como escreve o proeminente jurista e político equatoriano Rodrigo Borja, presidente de seu país de 1988 a 1992, "penetrou nos escalões do Estado e das forças públicas. Destruiu a imparcialidade da justiça. Corrompeu políticos. Aterrorizou policiais. Criou um novo poder social construído sobre corrupção, crime e terror".

Nos oceanos cujas águas banham o continente, os Estados Unidos, ainda uma das potências mais sólidas, senão a principal, do mundo, mobilizaram força militar para enfrentar o que consideram uma situação crítica devido ao tráfico de drogas. Quem será responsabilizado? Esta é uma pergunta difícil de responder, mas é muito mais complicado imaginar quais mudanças e penalidades surgirão, não apenas para funcionários do governo, legisladores e juízes, mas também para indivíduos com recursos financeiros e corporações poderosas envolvidas em uma atividade tão prejudicial.

O leitor que nos ajuda.

@LuuisBGuerra


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