
Por: Hugo Marcelo Balderrama - 29/03/2026
Colunista convidado.No filme A Origem (Inception), há um diálogo que é mais ou menos assim:
Dominick Cobb: "Qual é o parasita mais resistente? Uma bactéria? Um vírus? Um verme intestinal? Nenhum desses. O mais resistente é uma ideia resistente e altamente contagiosa."
Essa afirmação é mais fato do que ficção, visto que a crise no Ocidente, que abrange desde religião até cultura, é produto de um conjunto de ideias que permeiam a mente de milhões de pessoas. Sem a intenção de ser reducionista, algumas dessas ideias parasitárias são: 1) justiça social, 2) ambientalismo, 3) ideologia antinatalista, 4) indigenismo e 5) feminismo. Vamos examinar cada uma delas:
Justiça social é um dos grandes mitos ensinados nos departamentos de economia e ciência política. A ideia central é distribuir a riqueza de forma equitativa, já que seus defensores consideram a desigualdade material imoral. Deixe-me dar um exemplo: imagine que seu filho tem talento para fazer torta de maçã. Essa habilidade o torna conhecido entre amigos e familiares, que ficam encantados com o sabor. Então, naturalmente, surgem mais encomendas e novos clientes — tantos, na verdade, que ele precisa abrir uma pequena padaria. O sucesso continua, o negócio cresce e filiais são abertas em diferentes bairros. Obviamente, as finanças do jovem aumentam; ele se torna um empreendedor e investidor. Qualquer pai se orgulharia de suas conquistas; no entanto, surgem aqueles que cultivam a inveja, exigindo que o Estado esprema a padaria até a última gota com impostos, argumentando que a justiça social é necessária porque tal disparidade de renda entre ricos e pobres não pode existir. O problema é que quanto mais essa política é aplicada, mais pobres os países se tornam, porque os empreendedores levam seus talentos e capital para lugares menos competitivos.
Repare em algo: toda essa parafernália pseudocientífica que economistas e cientistas políticos usam para explicar a justiça social nada mais é do que uma camuflagem para esconder um dos pecados mais vis: a inveja. Helmut Schoeck acredita que as sociedades que mais progrediram e prosperaram foram aquelas que conseguiram manter a inveja sob controle. Aliás, em nosso continente, projetos criminosos como o Socialismo do Século XXI devem muito do seu sucesso aos votos de muitas pessoas invejosas que esperavam prejudicar os ricos.
As políticas antinatalistas e o ambientalismo podem ser analisados em conjunto. Os ambientalistas consideram a humanidade um vírus, um mero destruidor da Mãe Terra. Suas propostas podem ser resumidas em deixar o meio ambiente intocado e reduzir a humanidade a zero; para isso, nada melhor do que promover políticas antinatalistas. Primeiro, inventaram o mito do aquecimento global, depois foram mais criativos e falaram sobre mudanças climáticas. Em seguida, continuaram com a farsa da superpopulação. Isso é muito fácil de refutar; basta olhar as estatísticas: 75% da população mundial vive na Eurásia, a união da Ásia e da Europa, que ocupa 35% das terras habitáveis da Terra, deixando os 25% restantes da população para os outros 65% do planeta. Por exemplo, na minha Bolívia natal, a densidade populacional é de 12 habitantes por quilômetro quadrado.
No entanto, apesar de ser um país vasto e pouco povoado, a taxa de natalidade despencou de 6,5 na década de 1960 para 2,1 na década atual. O fato de o país estar oscilando próximo à taxa de reposição populacional criará inúmeros problemas para o sistema previdenciário e para a produtividade nas próximas décadas. Contrariamente às crenças dos maltusianos pós-modernos, menos pessoas significam, na verdade, mais pobreza, porque talentos e criadores de riqueza se perdem. Você consegue imaginar o que teria acontecido com a nossa espécie se nossos ancestrais tivessem pensado assim há três mil anos?
O indigenismo, por sua vez, tenta impor a ideia de que, na América Latina, antes da chegada dos espanhóis, existia um paraíso terrestre, uma terra sem problemas ou massacres. No entanto, a pesquisa histórica mostra o contrário: os povos indígenas das Américas estavam longe de ser compassivos com seus vizinhos. Para citar um exemplo, Chichén Itzá, localizada na Península de Yucatán (México), foi uma das cidades mais importantes da civilização maia. Hoje, é um dos sítios arqueológicos mais estudados da Mesoamérica, principalmente devido aos vestígios de sacrifícios humanos que ali foram realizados durante séculos. Embora esses rituais fossem parte essencial da cultura maia, ainda não são totalmente compreendidos. Agora, análises de DNA antigo dos restos mortais de 64 indivíduos sacrificados em Chichén Itzá entre 600 e 1100 d.C. revelaram que todos eram meninos, e que entre eles havia dois pares de gêmeos.
Foram os espanhóis que puseram fim a esses sacrifícios. De fato, os povos indígenas das Américas aceitaram o catolicismo por uma razão simples: Jesus Cristo se sacrificou pela humanidade, ao contrário dos ídolos pré-colombianos que exigiam sangue humano. Em termos práticos, é melhor seguir um Deus de paz e amor do que um que exige sangue.
Em última análise, o feminismo não se trata de defender as mulheres, mas sim de um ódio excessivo aos homens. As feministas veem os homens, independentemente de quem sejam, como opressores. A única maneira de equilibrar as coisas é tratar os homens com ressentimento e raiva. Em países onde essa agenda ganhou força significativa, ao contrário do que se poderia esperar, as mulheres foram as que mais sofreram, pois as empresas relutam em contratá-las por medo de processos por assédio, e os homens as evitam, mesmo quando as convidam para um café.
Uma última reflexão: podemos imaginar sociedades saudáveis quando as mentes das pessoas estão cheias de parasitas como os descritos acima? Não, daí a importância de lutar pelos valores da nossa civilização.
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