
Por: Hugo Marcelo Balderrama - 21/07/2026
Colunista convidado.Em 6 de julho de 2026, o Centro Nacional de Pesquisa para a Evolução Humana publicou um relatório na revista Scientific Reports sobre o comportamento dos primeiros Homo sapiens a habitarem a Terra. Os resultados refletem três aspectos: 1) uma tendência ao cruzamento com outros hominídeos; 2) um desenvolvimento cerebral que os impulsionou a migrar; e 3) a violência como um de seus meios de resolução de conflitos. Em outras palavras, desde nossas origens, resolvíamos disputas com chutes.
Por sua vez, historiadores de diferentes correntes e épocas concordam em um ponto: a violência é o denominador comum na história da humanidade.
De fato, os povos antigos — dos celtas aos maias — tinham deuses dedicados à guerra. Essas divindades frequentemente se tornavam figuras que refletiam a relação da humanidade com o conflito e a estratégia militar. Adorá-las dava às tropas um senso de unidade e propósito. Ao invocarem o deus guerreiro em conjunto, os combatentes se sentiam protegidos por um poder superior que dava sentido à violência. Além das emoções, essas divindades forneciam uma ordem moral em meio ao conflito. Os banhos de sangue, que incluíam o sacrifício dos filhos dos vencidos, não eram realizados por meras ambições econômicas e sexuais, mas sim como um "mandato divino".
Em outras palavras, estudos biológicos e históricos chegam à mesma conclusão: somos uma espécie muito violenta.
Mas como é possível que, apesar de nossa tendência à autodestruição, tenhamos nos tornado a espécie dominante?
Em "A Fatal Arrogância", Friedrich Hayek explica isso muito bem, vejamos:
A capacidade de aprender é mais fundamental do que a própria conquista da razão e do entendimento. Os seres humanos não nascem com sabedoria, racionalidade e bondade: essas qualidades precisam ser ensinadas, precisam ser aprendidas. A moralidade não é um produto da razão, mas sim dos processos de interação humana que fomentaram a ordem moral correspondente, facilitando o surgimento gradual não só da razão, mas também do conjunto de faculdades com as quais geralmente a associamos. Os seres humanos tornaram-se inteligentes porque possuíam, anteriormente, certas tradições — que certamente se situam entre o instinto e a razão — às quais podiam ajustar seu comportamento. Por sua vez, esse conjunto de tradições não deriva da capacidade humana de racionalizar a realidade, mas de respostas habituais.
Em outras palavras, foi a cultura que acorrentou nossos instintos sanguinários. Aqui, é necessário esclarecer que, por cultura, entendemos todos os elementos da vida humana que são transmitidos socialmente, sejam materiais ou espirituais.
No Ocidente, o cristianismo é um dos elementos que compõem nossa cultura. Portanto, é ao cristianismo que devemos conceitos como compaixão e caridade, pois são consideradas virtudes na vida do cristão comum. Consequentemente, a esquerda sempre considerou a religião um ópio, culpando-a por suprimir os impulsos revolucionários dos trabalhadores. A hierarquia nazista compartilhava dessa visão.
Atualmente, é o movimento woke que empunha a espada anticristã. O wokeismo sustenta que a sociedade está estruturada em torno de relações de poder, onde certos grupos (homens, brancos, heterossexuais e cristãos) oprimem outros (minorias raciais, mulheres, a comunidade LGBTQ+). Um dos elementos que os escraviza é a moral cristã, já que instituições como o casamento, a família e a propriedade privada são consideradas opressoras.
O wokismo não é apenas uma tendência política; é uma visão de mundo que, por meio de uma engenharia social violenta, busca se tornar o novo fundamento moral do Ocidente. É uma tendência muito perigosa, pois visa substituir o perdão pela vingança e a paz pelo conflito perpétuo. Para os cristãos, esse confronto está longe de ser trivial: o que está em jogo não é apenas um debate de ideias, mas a preservação dos pilares fundamentais que sustentaram a civilização ocidental por séculos.
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