
Por: Pedro Corzo - 03/08/2026
Colunista convidado.O Departamento de Estado dos EUA acaba de publicar um documento que, na minha opinião, é uma espécie de resumo jurídico contra o totalitarismo de Castro, o qual será muito útil para convencer a opinião pública nacional do perigo que a estrutura de ódio que governa Cuba desde 1959 representa para este país e para os valores culturais ocidentais.
O documento intitulado “Cuba: a capital do comunismo do século XXI” consolida as inúmeras atividades contra os Estados Unidos e o que essa nação representa, orquestradas ou patrocinadas pela maior das Antilhas desde o ano em que chegou ao poder.
É verdade que, embora grande parte da informação seja de conhecimento público, esta é a primeira vez que um documento oficial de um ramo tão importante do governo federal como o Departamento de Estado compilou uma pesquisa tão variada sobre as ações criminosas do castrismo.
O trabalho destrutivo dos irmãos Fidel e Raúl Castro contra os Estados Unidos começou no mesmo ano da vitória da insurreição, em paralelo com a tentativa de estabelecer um sistema totalitário em Cuba que impedisse a gestão independente da população.
Vejamos algumas instituições criadas pelo totalitarismo insular que, durante anos, os cegos que não querem ver e os surdos que preferem não ouvir escolheram considerar como aparelhos inofensivos dedicados ao trabalho intelectual, à amizade ou à informação.
O Instituto Cubano de Artes e Indústrias Cinematográficas (ICAIC) foi fundado em março de 1959. Foi a primeira instituição do regime de Castro, um presente de Fidel Castro para seu amigo Alfredo Guevara. O ICAIC foi usado para glorificar a revolução e denegrir os Estados Unidos.
Um dos aparatos mais poderosos do castrismo, e que cumpriu com sucesso a maioria de seus objetivos, foi a agência de desinformação “Prensa Latina”, criada em meados de 1959. Essa entidade foi idealizada por Fidel Castro, pelo assassino em série Ernesto “Che” Guevara e pelo jornalista guerrilheiro Jorge Ricardo Massetti, seu primeiro diretor-geral, que morreu em combate.
A ideia de criar um centro de desinformação, basicamente voltado para refutar as agências de notícias capitalistas gerando informações próprias e editando as de outros — claro que isso nunca foi declarado tão claramente. A ideia surgiu para Fidel Castro na Aula Magna da Universidade de Caracas, baseada na necessidade de combater o que ele chamava de monopólio das agências de notícias.
Em abril, foi criada a “Casa das Américas”, supostamente um centro cultural totalmente separado dos polos ideológicos representados pelos Estados Unidos e pela então poderosa União Soviética. A “Casa” concedia prêmios e aumentava o prestígio, principalmente entre jovens criadores ávidos por se estabelecerem no mundo intelectual; também convidava criadores a participarem como jurados, com todas as despesas cobertas pelo Estado.
No entanto, tanto os potenciais jurados quanto os concorrentes precisavam ter credenciais aprovadas pelo governo oficial e seus trabalhos tinham que corresponder aos princípios da Revolução; caso contrário, seus prêmios poderiam ser questionados, como aconteceu com o poeta Heberto Padilla em 1968, cuja obra foi publicada, mas censurada pela União de Escritores e Artistas de Cuba, o aparato que controla os autores cubanos com mão de ferro.
A Casa das Américas não só seduziu e envolveu intelectuais latino-americanos, como também americanos, seja como jurados ou participantes. O objetivo era recrutá-los para que, ao retornarem, levassem uma mensagem de descontentamento aos seus centros de estudo e trabalho, tarefa cumprida com igual ou maior sucesso pelo Instituto de Amizade com os Povos (ICAP), fundado em dezembro de 1960. Essa organização possuía amplos recursos financeiros, que utilizava para deslumbrar indivíduos com grandes ambições.
Dentre essas ferramentas fundamentalmente orientadas para a guerra assimétrica, destaca-se o "Comitê para um Tratamento Justo para Cuba", fundado em Nova York em abril de 1960, um aparato que reunia intelectuais, ativistas e cidadãos americanos que defendiam a Revolução Cubana, considerando que a hostilidade de Washington contra os Castros era evidente, pessoas que jamais levaram em conta as execuções em massa dentro da ilha e a confiscação de propriedades de cidadãos honestos, incluindo seus compatriotas.
A monstruosidade que assumiu o poder em Cuba não foi uma proposta política, muito menos ideológica, mas sim uma estrutura de ódio, inveja e ressentimento. Embora não tenha capacidade para destruir seus inimigos de uma só vez, possui as ferramentas necessárias para corroer internamente aqueles que se opõem a ela; daí seus esforços para manipular estudantes e funcionários públicos.
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