Maria Corina, líder da democracia.

Pedro Corzo

Por: Pedro Corzo - 28/12/2025

Colunista convidado.
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Há alguns dias, eu conversava com dois queridos amigos, o empresário Kemel Jamis e o escritor José Antonio Albertini, sobre a falta de líderes na América Latina que tivessem uma visão democrática em nível hemisférico.

Relembramos os séculos XIX e meados do XX, épocas ricas em figuras notáveis ​​em todos os campos imagináveis, como Simón Bolívar, José de San Martín, José Martí, Juan Domingo Perón, Francisco I. Madero e muitos outros. Contudo, concordamos que, neste século XXI, observa-se uma certa aridez na liderança política em geral, e ainda mais entre aqueles que demonstram um compromisso explícito com a democracia.

Nesse momento, Jamis, eu interrompo e destaco que ele tem certeza de que esse vácuo de liderança hemisférica pode e será preenchido por María Corina Machado, a líder venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, que demonstrou transbordar talento e coragem, como quando, no meio da Assembleia Nacional, liderada por Hugo Chávez, o confrontou e o chamou de ladrão, mesmo com a maioria contrária a ele.

A realidade é que a América Latina sofre com uma carência crônica de líderes firmemente comprometidos com a democracia, especificamente aqueles que se destacaram ou se destacam por sua projeção continental, embora devamos admitir que também não houve uma abundância de personalidades notáveis ​​nas esferas nacionais, com exceções como o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe e o atual presidente argentino Javier Milei.

Além disso, é preciso dizer que a maioria dos líderes nacionais demonstrou pouca visão em relação aos perigos que a democracia enfrenta por parte do castro-chavismo e suas variantes, e um espírito de solidariedade muito limitado com as repúblicas subjugadas por autocratas, entre as quais devemos incluir Cuba, Venezuela e Nicarágua.

Por outro lado, o despotismo e as autocracias tiveram líderes importantes em número mais do que suficiente, entre os quais se destacam Fidel Castro e Hugo Chávez em nível continental, e Nicolás Maduro, Rafael Correa, Daniel Ortega, Evo Morales, Manuel Noriega e Mel Zelaya em nível nacional. Todos esses indivíduos deixam muito a desejar em termos de discernimento por parte de seus seguidores e daqueles que os promoveram e apoiaram durante décadas, sem levar em conta seus abusos e pilhagens.

Um autocrata que não deve ser omitido é Augusto Pinochet. O ditador chileno poderia ter sido um líder hemisférico, embora não democrático, como consequência de ter orquestrado a derrubada de Salvador Allende, um aliado incondicional de Fidel Castro e todos os seus associados, que era uma figura importante na esquerda vegana, se é que tal coisa existe, com uma forte inclinação para o canibalismo.

Vale ressaltar que existem figuras que poderiam ser incluídas em uma ou outra dessas relações, como Luís Inácio Lula da Silva, Nayib Bukele, Michelle Bachelet e o casal Kirchner-Fernández. As profundas contradições que demonstraram em suas respectivas lideranças, tanto dentro de seus países quanto em suas políticas externas, deixam sua futura classificação ao critério de qualquer observador. No entanto, por ora, este observador colocaria Lula e Kirchner-Fernández entre os inimigos das democracias hemisféricas, na mesma categoria que Castro e Chávez. O comportamento cúmplice dos três atingiu níveis aberrantes.

Líderes nacionais são uma aspiração fundamental em qualquer país, uma presença que não deve ser confundida com a de homens fortes ou sátrapas a serviço de minorias, assim como são necessários paradigmas internacionais que possam sintetizar, por meio de sua gestão e propostas, os desejos mais caros da cidadania.

Concordo plenamente com a proposta de Jamis e Albertini de que a Sra. María Corina Machado pode assumir plenamente um papel de liderança continental, visto que demonstrou fortes convicções democráticas, honrou seu compromisso com aqueles que têm liberdade e direitos de cidadania em primeiro lugar e, finalmente, não teme seus inimigos.

María Corina, como já aconteceu ao longo da história quando déspotas tentam subjugar aqueles que os desafiam, cresceu e alcançou patamares inimagináveis ​​até mesmo para seus apoiadores mais fiéis, como foi o caso nas eleições de 28 de julho de 2024, e essa adversária da esquerda política, mas uma política consistente, conquistou o Prêmio Nobel da Paz graças ao seu constante sacrifício e abundante decoro.


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