
Por: Pedro Corzo - 01/02/2026
Colunista convidado.Neste 173º aniversário do nascimento de José Martí, observa-se entre os cubanos uma maior confiança no futuro, coincidindo com a profunda e vasta crise que o sistema totalitário castrista enfrenta, tão grave, na opinião de muitos, que não se descarta o fim dessa tirania, embora o totalitarismo tenha sido fundado no desespero e na permanência do sistema.
É apropriado reconhecer que a repressão sob o totalitarismo assume uma forma abrangente e multifacetada que contaminou a maioria da população com terror. As regulamentações restritivas de um sistema absoluto transcendem o policiamento, estando presentes no mundo do trabalho, da educação e da sociedade, inclusive na família. Nenhuma atividade está fora do controle do Estado uma vez estabelecido um sistema totalitário.
Essa abordagem abrangente limita consideravelmente a formação de uma oposição organizada em nível nacional, com propostas sociais e de defesa de direitos que promovam projetos políticos e sociais, fator que impede a oposição de promover protestos e reivindicações que a tornariam uma opção viável para a mudança.
O controle é tão generalizado que a vasta maioria da população se sente impotente diante das autoridades estatais. Essa sensação de impotência e desesperança é disseminada por toda a sociedade, consequência da supremacia do Estado, do governo e do partido até nos mínimos detalhes da vida cotidiana.
Felizmente para os cubanos, nossa história inclui as doutrinas e os exemplos que nos foram legados por José Martí, figura fundamental do nosso pensamento nacional. A vocação patriótica do "Mestre", sua confiança no futuro e seus esforços constantes em prol de sua utopia — uma república "com todos e para o bem de todos" — servem de referência para qualquer cidadão com consciência cívica, assim como suas convicções a respeito da liberdade individual e da soberania popular.
Martí sempre falou com grande clareza sobre os direitos inalienáveis do homem, enfatizando que "Liberdade é o direito que todo homem tem de ser honesto, de pensar e de falar sem hipocrisia". Enquanto isso, o castrismo se perpetua através do oportunismo, da mentira e do engano. Esse sistema totalitário está enraizado em um duplo padrão, no qual o vassalo oculta suas opiniões e age de acordo com o que lhe beneficia a sobrevivência — uma hipocrisia generalizada que se tornou o agente mais corrosivo contra o despotismo.
As diferenças entre as propostas políticas de Martí e as do tirano Fidel Castro são abissais. O Maestro sempre espalhou esperança e foi muito explícito quando escreveu: “A pátria é a humanidade, é aquela porção da humanidade que vemos mais de perto e na qual nascemos; e não se deve permitir que, sob o pretexto do nome sagrado, se defendam monarquias inúteis, religiões inchadas ou políticas vergonhosas e famintas”, uma descrição do castrismo que é muito difícil de igualar.
Em contrapartida, os irmãos Castro identificavam persistentemente a Pátria com a Morte, como se ela fizesse parte de sua herança, uma herança na qual não faziam distinção entre rebanhos e pessoas, eliminando assim toda a esperança para os cidadãos que, transformados em servos, aguardavam uma vida melhor.
O apóstolo cubano, com uma visão inegável do futuro, alertou em "A Futura Escravidão", de 1884, sobre o perigo da concentração de poder no Estado, salientando que "De servo de si mesmo, o homem se tornaria servo do Estado", destacando, por sua vez, o surgimento de uma nova classe que chamou de "funcionários", burocratas, uma realidade angustiante que os cubanos vêm sofrendo há mais de seis décadas.
As esperanças cresceram e se fortaleceram devido a fatores internos da própria população e graças à decisão do presidente Donald Trump de prender Nicolás Maduro, além de seus alertas aos ditadores de Cuba e Nicarágua de que suas depredações chegaram ao fim, o que, somado ao esgotamento do despotismo em ambos os países, motivou o renascimento da esperança de mudanças que levem à democracia ou, pelo menos, à derrubada dos opressores.
É fácil perceber que Miguel Díaz-Canel e seus capangas, assim como a dupla Ortega-Murillo e as hordas de criminosos que os acompanham, se sentem inseguros e temem pelo futuro, pois a impunidade de que desfrutaram por anos está chegando ao fim.
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