
Por: Hugo Marcelo Balderrama - 04/05/2026
Colunista convidado.Qualquer estudante mediano de Economia ou Ciência Política no Ocidente, em algum momento de sua trajetória acadêmica, terá que aprender os aspectos "negativos" da desigualdade material, visto que a hegemonia acadêmica das universidades transformou a igualdade em um dogma indiscutível.
A ideia de uma comunidade onde todos são iguais em recursos econômicos é produto de resquícios tribais que ainda persistem entre nós. Grande parte disso é transmitida no meio acadêmico por meio de teorias como o marxismo, em todas as suas variações, ou o Índice de Gini, cujo objetivo é promover políticas estatais para reduzir as desigualdades materiais entre grupos populacionais.
Mas será verdade que a desigualdade econômica é tão ruim assim?
A pobreza é a condição natural da humanidade, pois viemos das circunstâncias mais miseráveis. Ou seja, no princípio, éramos todos iguais; contudo, permanecer nessa condição teria significado a extinção da espécie. Isso confrontou nossos ancestrais com a primeira grande regra econômica: a escassez.
No entanto, nós, humanos, somos dotados de um dom maravilhoso: a capacidade de criar. Alguns descobriram que certas pedras podiam ser moldadas para armazenar e coletar água. Outros usavam madeira e gravetos para caçar e pescar. Um terceiro grupo percebeu que o fogo podia ser feito esfregando dois galhos.
Naquela época, aqueles que eram mais criativos do que os demais alcançaram duas coisas: 1) aumentaram o padrão de vida de toda a espécie e 2) criaram desigualdade, já que agora são muito mais ricos do que seus pares.
Isso nos leva a uma verdade fundamental que muitos sociólogos, cientistas políticos e economistas se recusam a aceitar: se nos for permitido agir livremente, essa diversidade criativa se expressará de muitas maneiras, desde a forma como nos vestimos e nos comportamos até nossa renda. Aí reside o absurdo de buscar a igualdade absoluta quando a natureza nos fez tão desiguais, uma condição reforçada por nossos ambientes culturais e familiares.
Mas a retórica em favor da igualdade esconde algo mais perigoso: as sementes da tirania. Qualquer tentativa de nos tornar iguais terá que ser feita pela violência, já que essa é a única maneira de suprimir as manifestações materiais de nossos talentos. Esse foi o caminho trilhado pelos projetos socialistas no século passado e pelo castro-chavismo hoje.
Aqui devemos abordar o grande paradoxo daqueles que buscam a igualdade: opõem-se às desigualdades materiais, mas fomentam a desigualdade no uso da violência, uma vez que alguns ficam indefesos contra as agressões dos que detêm o poder. De fato, Rousseau, o precursor ideológico dos nazistas e marxistas, disse: "Na busca do bem comum, não há necessidade de limitar o poder do Estado".
Essa ideia serviu de base para a decapitação de padeiros quando o preço do pão subia, embora, ironicamente, o preço do pão subisse em proporção direta ao número de cabeças decepadas. Em Cuba, sob o mesmo pretexto, balas e cassetetes garantiam que todos fossem igualmente pobres, exceto a elite criminosa que vivia em grande luxo.
Em conclusão, não é verdade que uma sociedade igualitária seja moral; a realidade mostra que o oposto é verdadeiro. As nações não devem buscar a igualdade, mas sim a prosperidade. Isso só pode ser alcançado com estruturas institucionais que respeitem a propriedade privada e incentivem o empreendedorismo. Não à igualdade, sim à liberdade.
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