Equador e Costa Rica estão mostrando às democracias o caminho para romper relações com a ditadura cubana.

Carlos Sánchez Berzaín

Por: Carlos Sánchez Berzaín - 22/03/2026


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A ditadura cubana utiliza o sistema de representação internacional como mecanismo de publicidade, infiltração e legitimação de seu cartel, que institucionalizou violações de direitos humanos e terrorismo. Protegidas por imunidades e privilégios, as embaixadas e os diplomatas da ditadura cubana são instrumentos de agressão que ameaçam a segurança do país anfitrião a fim de garantir sua cumplicidade, submissão ou controle. Como resultado, os governos do Equador e da Costa Rica romperam relações diplomáticas, demonstrando o caminho que a realidade exige das democracias das Américas.

As relações entre os Estados atingem seu nível mais alto com a acreditação de embaixadores e o estabelecimento de embaixadas, o que representa o reconhecimento do governo do país receptor e vice-versa. As relações diplomáticas são regidas pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 18 de abril de 1961, no âmbito das Nações Unidas.

As imunidades e privilégios diplomáticos abrangem a inviolabilidade das instalações da missão diplomática, isenção de impostos, liberdade de circulação no território do Estado receptor, inviolabilidade de arquivos e documentos, liberdade de comunicação, inviolabilidade da correspondência e das malas diplomáticas, inviolabilidade pessoal dos agentes diplomáticos e suas residências com isenções tarifárias, entre outros. Se um grupo criminoso controla um Estado, possui extraordinárias capacidades de acobertamento e impunidade.

Desde que o regime de Castro tomou o poder em 1959, as embaixadas e os diplomatas cubanos têm sido “agentes ativos”, ou seja, operadores do crime organizado que, valendo-se de imunidades e privilégios, conspiraram e atacaram democracias nas Américas e no mundo, tornando essa atividade um dos pilares fundamentais da manutenção da tirania absolutista que, por 67 anos, tem sido a maior fonte de agressão contra os direitos humanos, a liberdade e a segurança.

Em 4 de março, o Equador rompeu relações diplomáticas com a ditadura cubana, invocando simplesmente o Artigo 9 da Convenção de Viena, que estabelece que “o Estado acreditado pode, a qualquer momento e sem ter que justificar sua decisão, notificar o Estado acreditante de que o chefe ou qualquer outro membro do corpo diplomático da missão é persona non grata”. Essa decisão segue um longo histórico de intervencionismo de Castro em um país entregue pela ditadura satélite de Rafael Correa, que o transformou em um narcoestado e uma plataforma para o socialismo do século XXI, ou Castro-Chavismo.

Em 18 de março, a Costa Rica fechou sua embaixada em Cuba e expulsou diplomatas cubanos. O presidente Rodrigo Chávez declarou que “a partir de agora, a Costa Rica não reconhece a legitimidade do regime comunista em Cuba, tendo em vista os maus-tratos, a repressão e as condições indignas a que os habitantes daquela bela ilha são submetidos”. O Ministro das Relações Exteriores expressou “profunda preocupação” com a “deterioração contínua da situação dos direitos humanos na ilha, bem como com o aumento dos atos de repressão contra cidadãos, ativistas e membros da oposição”.

Todos os países das Américas foram, de alguma forma, atacados, subjugados ou controlados pela ditadura cubana nos últimos 67 anos. Invasões, guerrilhas urbanas e rurais, narcotráfico, terrorismo, narcoterrorismo, infiltração por meio do crime comum, conspirações, golpes de Estado, derrubadas, assassinatos, disseminação de notícias falsas e todas as formas de guerra híbrida, subversiva, irregular, assimétrica e frontal. Os chamados Exércitos de Libertação Nacional (ELN), as FARC, os Montoneros, os Tupamaros, o Sendero Luminoso, o MRTA, o Comando Vermelho e o Comando da Capital no Brasil, os cartéis mexicanos e as conexões chinesas, russas e iranianas não deixaram nenhuma forma de atividade criminosa fora da esfera de influência do regime de Castro.

Manter relações diplomáticas com o centro do crime organizado transnacional nessas condições representa um alto risco à segurança nacional, uma ingenuidade que nenhum estadista pode se dar ao luxo de ter. É por isso que a decisão do Equador e da Costa Rica é a correta, guiada por um interesse nacional que nada tem a ver com ideologias, nem de esquerda nem de direita, porque o tempo de conferir status político ao crime já passou desde que o ditador Nicolás Maduro foi levado à justiça.

Os governos para ditatoriais ou subservientes do México sob Sheinbaum, da Colômbia sob Petro, do Brasil sob Lula e do Uruguai sob Orsi, como evidenciado pela recente reunião da CELAC (um mecanismo castro-chavista), demonstram clara subserviência e cometem alta traição contra a nação, ataques à segurança nacional, acobertamento do crime organizado e muito mais. Seus povos os responsabilizarão, porque, em uma democracia, os chefes de governo são "representantes" e, mais cedo ou mais tarde, serão responsabilizados.

Países como a Argentina, que sob os governos Kirchner foi um satélite de Cuba que garantiu impunidade à família Kirchner, ou como a Bolívia, que continua permeada pela doutrina de Castro em seus livros escolares, com seu sistema de saúde substituído por médicos com práticas escravistas e um número indeterminado de "diplomatas cubanos" e acordos secretos, ou como o Chile, que se tornou parceiro de Boric, não têm motivos para manter relações diplomáticas com a liderança do crime organizado. Nenhum governo do "Escudo das Américas" pode reconhecer a ditadura cubana.

*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.

Publicado em infobae.com domingo março 22, 2026



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