Dormindo com o inimigo, é hora de acordar.

Hugo Marcelo Balderrama

Por: Hugo Marcelo Balderrama - 14/09/2026

Colunista convidado.
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No início da década de 1980, e até mesmo no final da década de 1970, a política mundial testemunhou a ascensão de três figuras: João Paulo II, Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Esse trio de gigantes, cada um em sua própria esfera, foi influente na queda do comunismo, na queda do Muro de Berlim e na desintegração da União Soviética. Contudo, acredite ou não, chegar ao poder não foi nada fácil para nenhum deles; na verdade, desafiou todas as probabilidades.

O cardeal polonês Karol Wojtyla, o segundo mais importante da Polônia, era visto como intransigente demais em seu anticomunismo para ser considerado um candidato papal em uma igreja que buscava normalizar as relações com as nações do Leste Europeu. Além disso, por quatro séculos, os papas haviam sido de origem italiana. Ronald Reagan era considerado antiquado e conservador demais para vencer uma eleição. Thatcher, para os conservadores britânicos, era uma figura de pouca relevância para ocupar um cargo importante, mas, por um golpe de sorte, ela se tornou uma.

O que o Papa, o Primeiro-Ministro e o Presidente tinham em comum?

Uma fé inabalável nos pilares que sustentam nossa civilização: a) o cristianismo como alimento espiritual e apoio para nossas vidas; b) o capitalismo como o melhor e único sistema que nos permite criar riqueza e alcançar prosperidade; e c) a liberdade individual como fundamento da dignidade humana.

A queda do Muro de Berlim em novembro de 1989 e a desintegração da União Soviética em 1991 puseram fim a sete décadas de totalitarismo comunista. Naturalmente, no Ocidente, brindamos com champanhe; contudo, a realidade, décadas depois, mostrou-nos que tínhamos sido excessivamente otimistas e ingênuos.

Descobriu-se que a ameaça totalitária já possuía uma estratégia para sobreviver ao colapso soviético.

Em primeiro lugar, desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), a Teologia da Libertação havia se infiltrado no próprio âmago do catolicismo. Na América Latina, a Teologia da Libertação foi promovida por diversos teólogos e padres, entre eles Gustavo Gutiérrez, Leonardo Boff e Luis Espinal. Sob o pretexto de "amar os pobres", esses ativistas revolucionários buscavam despojar o catolicismo de toda a sua riqueza teológica e substituí-la pela militância comunista. Seu maior sucesso se deu no Brasil, onde seus grupos de estudo e programas de formação constituíram a base do Partido dos Trabalhadores (PT), a plataforma que levou Lula da Silva ao poder — fato reconhecido pelo próprio Leonardo Boff.

Em segundo lugar, eles já haviam encontrado novos fetiches revolucionários. Por exemplo, na década de 1980, a esquerda na Europa democrática substituiu o trabalhador pelo migrante como sujeito revolucionário. Simplificando, eles não fariam mais campanha exclusivamente pela causa dos trabalhadores; agora também fariam campanha pelo movimento "Acolham os Refugiados".

O que inicialmente parecia uma causa humanitária, ao longo das décadas, acabou por minar a coexistência e a paz em vários países. Em 31 de dezembro de 2015, na cidade alemã de Colônia, um grupo coordenado de aproximadamente mil homens agrediu sexualmente e roubou diversas mulheres. Poucos dias depois, a promotoria da cidade divulgou os resultados da investigação: 471 crimes sexuais e 621 agressões violentas. Dos 78 presos: 30 eram do Marrocos, 27 da Argélia, 4 do Iraque, 3 da Síria e os demais eram cidadãos alemães de ascendência africana.

A prefeita Henriette Reker pediu à imprensa que não divulgasse a origem étnica dos estupradores, pois, segundo ela, isso alimentaria o "discurso de ódio" de grupos anti-imigração ligados à "extrema direita".

Em 15 de agosto de 2026, a cidade espanhola de Ceuta foi invadida por hordas de marroquinos. A polícia informou que, até 5 de setembro, já haviam sido confirmados 15 estupros cometidos pelos invasores, vários deles contra menores. A resposta de Pedro Sánchez, presidente da Espanha, não foi em defesa de seus cidadãos e de seu país, mas sim em apoio a esses grupos bárbaros. Durante uma entrevista à TVE, Sánchez afirmou: "Acho importante também reconhecer que precisamos de uma infraestrutura de acolhimento maior para os migrantes que chegam."

Note-se que a abordagem de Sánchez e Reker não visa ajudar os migrantes, mas sim legitimar criminosos. Ambos seguem a receita de Willi Muzenberg: "corromper a cultura ocidental até destruí-la". Isso também fica evidente nos últimos testes do PISA, cujos resultados mostraram que a geração atual tem o pior desempenho em leitura e matemática.

Existe alguma saída?

John O'Sullivan, em um livro dedicado às três grandes figuras com as quais iniciei este artigo, explica que nossa maior força reside justamente na capacidade de encarar o medo com esperança. Não somos perfeitos, mas somos melhores que nossos inimigos.


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