Desmantelar os narcoestados para restaurar a segurança dos cidadãos e o Estado de Direito.

Carlos Sánchez Berzaín

Por: Carlos Sánchez Berzaín - 03/05/2026


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O socialismo do século XXI suplantou a política e a ideologia pelo crime organizado transnacional. Sob o disfarce de revolução, populismo e anti-imperialismo, impôs o terrorismo de Estado como metodologia e a gestão do crime como plano de governo, consolidando o narcoestado cubano e criando narcoestados na Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Equador e em províncias ou estados do México, Colômbia, Brasil, Argentina e outros. Nessa realidade, somente o desmantelamento desses narcoestados poderá restaurar a segurança cidadã e o Estado de Direito.

Um narcoestado é “um neologismo econômico e político aplicado a países cujas instituições políticas são significativamente influenciadas pelo poder e pela riqueza do narcotráfico, cujos funcionários do governo, protegidos por seus poderes e influência, também são membros de redes ilegais de narcotráfico, e cujas forças de segurança são ineficazes no combate ao narcotráfico. São países onde organizações ilegais que produzem, transportam ou vendem drogas controlam instituições legítimas por meio da força, suborno ou chantagem.”

Aplicando este conceito, a realidade objectiva prova que as ditaduras do socialismo do século XXI – Cuba, Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador – foram estruturadas como narco-estados. Da mesma forma, os governos paraditatoriais do Brasil sob Lula da Silva com o Comando Vermelho e o Comando da Capital; México sob López Obrador e Sheinbaum na Baja Califórnia, Chihuahua, Tamaulipas, Nayarit, Zacatecas, Jalisco, San Luis Potosí, Colima, Michoacán, Aguascalientes, Querétaro, Hidalgo, Guanajuato, Tlaxcala, Puebla, Guerrero, Chiapas, Campeche, Quintana Roo e muito mais; Colômbia sob Petro com o ELN e as FARC; e a Argentina, com províncias como Formosa, Santiago del Estero, Chaco e Catamarca, estabelecidas sob os Kirchner, criaram e coexistem com narcoestados.

A situação dos países e governos na América Latina passou dos "narco-ligações" da década de 1990 para a "tomada do poder pelos narcotraficantes" e seu efeito nos "narcoestados" (a estratégia do narcotraficante colombiano Pablo Escobar).

Na era das ligações com o narcotráfico, como no caso de Samper na Colômbia, tratava-se do financiamento de campanhas políticas por traficantes de drogas, mas quando o socialismo do século XXI chegou ao poder, passou a ser o controle direto do narcotráfico como fonte de financiamento para o terrorismo e o ataque contínuo às democracias, com a falácia castrista de que "o narcotráfico é uma arma da luta anti-imperialista".

Nesse contexto, existem pelo menos três cenários: 1. Países sob ditaduras, como Cuba, Venezuela e Nicarágua, que são narcoestados consolidados; 2. Países com governos eleitos, mas com sistemas institucionais de narcoestados, como Equador e Bolívia; 3. Países com governos quase ditatoriais que protegem, toleram ou negociam direta ou secretamente com narcoestados dentro de seus territórios, como México, Brasil, Colômbia e Argentina.

Em todos esses casos, só existe uma alternativa: desmantelar os narcoestados. Isso significa combater diretamente o narcotráfico, decapitando a infiltração política dos traficantes nos governos nacionais, locais e estaduais, representantes nacionais ou territoriais, senadores, deputados, vereadores, governadores, prefeitos e qualquer outro tipo de presença criminosa nas esferas políticas ou partidárias. Todos sabem quem são e onde estão, mas a única coisa que precisa ser superada é o seu comprometimento econômico, o medo e/ou a sua cumplicidade.

Nas ditaduras, o ponto de ruptura foi a captura de Nicolás Maduro, agora preso, mas a persistência de seu aparato no controle do governo venezuelano não desmantelou o narcoestado. No caso de Cuba, o fim do regime não eliminará apenas o narcoestado mais antigo das Américas, mas também o apoio e a proteção transnacional ao sistema criminoso. Na Nicarágua, o regime cairá, derrubado pelo desmantelamento da liderança criminosa cubana. Nos três casos, a questão central é não conceder impunidade às principais figuras da operação narcoterrorista.

O caso do Equador é emblemático porque, desde a restauração da democracia pelo presidente Lenin Moreno, a parte mais difícil tem sido o desmantelamento do narcoestado, pelo qual o presidente Daniel Noboa luta, talvez ainda sem exercer pressão efetiva sobre os níveis que detiveram o poder político na criação do narcoestado que persiste.

A Bolívia continua sendo um narcoestado e assim permanecerá enquanto a constituição plurinacional que suplantou a República da Bolívia com crimes e massacres estiver em vigor. Restaurar a República da Bolívia é essencial para derrotar o crime disfarçado de política. Não haverá política nem Estado de Direito enquanto persistir a simulação de uma democracia, uma democracia que carece de todos os elementos essenciais delineados na Carta Democrática Interamericana.

No caso dos governos do México, Colômbia, Brasil, Argentina e outros, cabe aos políticos assumirem seu lugar e se separarem dos criminosos que fazem parte da manutenção dos narcoestados internos, dos quais todos têm conhecimento, mas que fingem ignorar sob o argumento da "necessidade política".

Publicado em infobae.com domingo maio 3, 2026



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