
Por: Pedro Corzo - 02/03/2026
Colunista convidado.O título desta coluna foi retirado de uma conferência organizada recentemente pela Patria de Marti, um grupo liderado pelo cientista político cubano Julio Schiling, um nome mais do que apropriado para tentar descrever a tragédia existencial diante do totalitarismo de Castro na maior das Antilhas.
A grande maioria dos observadores da situação cubana pôde constatar, através dos intensos e desesperadores cenários que se arrastam há mais de seis décadas e meia, que o totalitarismo se encontra na fase mais negativa de sua história, infelizmente não como resultado de ações da oposição, mas sim devido à terrível incompetência e corrupção de seus funcionários, em especial de seus líderes.
Contudo, nenhuma pessoa informada pode negar conscientemente os esforços daqueles que se opuseram ao castrismo ao longo de todos esses anos. Incontáveis foram as estratégias, os meios empregados e os sacrifícios feitos por um setor significativo de cubanos e até mesmo estrangeiros que também deram suas vidas diante de um pelotão de fuzilamento ou definharam em longos anos de prisão. Ainda hoje, mais de 1.200 mulheres e homens permanecem presos por motivos políticos.
Durante um período de tempo, uma parte significativa da nossa sociedade acreditou nas promessas do totalitarismo; ninguém recusava uma recompensa, como dizia o inesquecível "Paco" Lorenzo.
As promessas de educação, saúde e esportes encontraram forte ressonância na população, às quais devemos acrescentar enterros gratuitos, espetáculos gratuitos, roupas e sapatos de trabalho sem ter que pagar um centavo; em suma, implementaram uma manobra bem temperada com repressão, para transformar os governados em ovelhas felizes.
No entanto, a nova classe, mais corrupta e implacável do que a anterior, e de colossal ineficiência, não foi capaz de gerar riqueza para sustentar o suposto milagre que muitos elogiaram sem querer ver que tudo o que foi distribuído na Ilha provinha, em primeiro lugar, da riqueza acumulada da República que eles extinguiram e, em seguida, dos formidáveis subsídios soviéticos.
Em última análise, o sistema, em seus 67 anos, acumulou apenas fracassos e erros, com consequências lamentáveis. O cidadão cubano médio hoje tem menos recursos do que qualquer um de seus antepassados, sofrendo uma pobreza material e espiritual sem precedentes.
Fidel e Raúl Castro revelaram-se contadores de histórias com narrativas fracassadas. O acúmulo de suas promessas não cumpridas tornou ainda mais popular em Cuba a já conhecida expressão "Tia Tata conta histórias" — nome de um popular programa de televisão estrelado por Consuelito Vidal, uma de suas mais devotas apoiadoras.
A infelicidade acumulada e o desespero endêmico causados pelo sistema despertaram a maioria da população. Ela não aguenta mais mentiras, manipulação e sofrimento. Os cidadãos estão fartos de viver no limite, uma situação que o regime constantemente alimenta.
Diversos fatores levaram o sistema totalitário a essa situação precária, principalmente a violação absoluta dos direitos dos cidadãos e a repressão sistemática daqueles que não aceitam os ditames do regime. O totalitarismo fracassou estruturalmente, porque onde não há liberdade, o progresso é inexistente a um grau quase inimaginável.
No entanto, durante anos, através de uma política de incentivos e punições, conseguiram submeter grande parte da população à servidão, circunstância que demonstra a importância da repressão para condicionar as pessoas à obediência excessiva, sendo, paradoxalmente, que, como resultado do controle social e do condicionamento da população, ainda conta com defensores, tal como acontece com outras propostas políticas que, apesar dos seus fracassos e crimes, não deixam de ter protetores.
Além disso, para agravar ainda mais a situação, o governo dos Estados Unidos privou Cuba de seu aliado mais valioso, Nicolás Maduro, enquanto o presidente Donald Trump afirma que "Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba", colocando o sistema e a população em uma situação terminal que pode levar ao fim de uma coexistência precária que fez do sistema totalitário cubano o mais duradouro das Américas e um dos mais antigos do mundo.
A encruzilhada em que os cubanos se encontram é extremamente perigosa. Espera-se que o desfecho leve ao desaparecimento tanto das vítimas quanto dos perpetradores.
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