
Por: Pedro Corzo - 13/04/2026
Colunista convidado.Compartilho da opinião daqueles que consideram que o castrismo se encontra na conjuntura mais difícil de sua história, embora rejeite a versão de que apenas fatores externos tenham sido responsáveis pelo fato de a tragédia cubana, aparentemente, estar chegando ao fim.
A vida dos cubanos, devido à ineficiência e à maldade de seus governantes, torna-se cada vez mais calamitosa, realidade à qual se soma o desgaste massivo do discurso governamental, enquanto a capacidade do totalitarismo de manipular a população e as condições que a acompanham estão praticamente esgotadas.
A situação atual dos cubanos é catastrófica. A escassez crônica de bens de consumo, um problema que persiste há décadas, agravou-se; o acesso à água potável é geralmente uma provação. Esses eventos ocorrem em um contexto de constantes apagões e um sistema de transporte desastroso que dificulta tudo. A essas deficiências, devemos acrescentar a onipresença de uma força policial sempre pronta para reprimir.
Os cubanos sofrem há muitos anos com um bloqueio interno imposto pelo totalitarismo, que os levou a uma miséria extrema, embora o discurso oficial propague a visão, compartilhada por seus aliados, de que o embargo dos EUA é responsável pelas calamidades da população.
Culpar os outros pelas consequências malévolas de suas ações é uma tendência recorrente do totalitarismo. É um sistema que se deleita em se fazer de vítima porque confunde os ingênuos, ao mesmo tempo que se mantém como uma excelente ferramenta para seus simpatizantes, particularmente entre aqueles que vivem em países democráticos e possuem recursos econômicos para fazer oferendas às suas quimeras sem precisar fazer sacrifícios.
Inexplicavelmente, é nos Estados Unidos, o país que Fidel Castro escolheu como inimigo, que a maioria das pessoas defende o totalitarismo. Numerosos políticos desse país, a grande maioria ignorante da realidade cubana, gostam de viajar para a ilha para defender o castrismo, sem perceber que estão protegendo um regime completamente oposto aos seus valores e modo de vida.
Aqueles que afirmam que Washington deveria negociar com Havana porque isso seria benéfico para ambos os países estão completamente enganados. Uma boa relação com o sistema totalitário não beneficia os Estados Unidos de forma alguma, e muito menos o povo cubano. Ao longo dos anos, tornou-se evidente que tolerar e apoiar o castrismo o fortalece, em paralelo com seu desejo de controlar a dissidência da população.
Durante décadas, organizações e cidadãos deste país têm promovido campanhas em apoio à ditadura e culpado o próprio governo pelos fracassos do sistema castrista, o que contribuiu para que uma parcela da opinião pública americana compartilhasse dessa visão e considerasse que ações punitivas contra a ilha agravariam a situação de seus habitantes.
"Um grave erro", diria o cubano médio, que, como afirmou Oscar Esquerra, vem morrendo aos poucos há 67 anos, apenas para continuar vivendo miseravelmente.
Todas as crises do totalitarismo são consequências da ineficiência e da sua habitual dependência do apoio económico externo, bem como da recusa em permitir que os seus cidadãos trabalhem e pensem livremente. Por esta razão, é necessário apoiar a população para que assuma as suas prerrogativas cívicas com quaisquer ações que se mostrem necessárias, mesmo que as consequências imediatas sejam o agravamento da crise, porque, como gosta de dizer o escritor José Antonio Albertini, "as coisas têm de piorar para melhorarem".
Infelizmente, os inimigos do totalitarismo de Castro sempre tenderam a subestimar a fascinação pelo poder que aflige aqueles que subjugam Cuba há mais de 67 anos, assim como seus homólogos na Nicarágua e na Venezuela.
Esses líderes não cedem a meras ameaças, muito menos a doces promessas. Contra eles, devemos ser firmes e consistentes. Devemos desenvolver uma política de confronto que revele a disposição de nossos oponentes em ir aos extremos.
Não se enganem, eles são inimigos habilidosos, extremamente hábeis em manipular fatos. Sabem perfeitamente que as democracias respondem à opinião pública e aos interesses conflitantes que tendem a ser tolerados para alcançar a governabilidade, então tentam influenciá-la ao máximo para pressionar seus líderes. São parasitas e, como tal, exploram seu hospedeiro.
As opiniões aqui publicadas são de inteira responsabilidade de seus autores.