Bolívia: um presidente impotente e um narcoestado fora de controle.

Hugo Marcelo Balderrama

Por: Hugo Marcelo Balderrama - 12/05/2026

Colunista convidado.
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No dia 4 de maio, os governadores e prefeitos eleitos nas recentes eleições regionais tomaram posse. Enquanto em Santa Cruz, como esperado, prevaleceu a visão que favorece as liberdades econômicas, a competitividade e o progresso, no restante do país, com algumas exceções, a política autoritária ganhou força — Manfred Reyes Villa, por exemplo — e os candidatos alinhados ao socialismo do século XXI, como Leonardo Loza, são os casos mais notáveis.

De fato, Leonardo Loza convidou os embaixadores da Rússia e do Irã para sua posse. Isso não foi mera formalidade, mas uma clara afronta ao governo do presidente Rodrigo Paz, um lembrete de que eles ainda detêm o poder, mesmo com Paz na presidência.

Além disso, é importante lembrar que muitas das estratégias utilizadas pela esquerda boliviana nos conflitos do início dos anos 2000, incluindo a Guerra da Água, o Fevereiro Negro e a Guerra do Gás, foram métodos aprendidos com os iranianos. Você se lembra de como os "movimentos sociais" colocaram mulheres e idosos na linha de frente? Isso é uma cópia fiel dos Sar Allah (Guerreiros de Deus), um esquadrão formado por mulheres e crianças que marchavam à frente de tanques e soldados para limpar campos minados durante a Guerra Irã-Iraque na década de 1980.

Como se isso não bastasse, outro fator deve ser adicionado a tudo o que foi mencionado acima: o crime organizado.

Desde 2020, as apreensões de cocaína boliviana no Brasil têm aumentado, especialmente no estado fronteiriço de Mato Grosso. Esse fenômeno indica a crescente importância da Bolívia como país de origem e trânsito para grande parte da cocaína destinada aos mercados europeus. Grover Colque, especialista em segurança e prevenção ao crime, explica:

O país continua sendo o terceiro maior produtor mundial de cocaína, e estima-se que entre 27% e 40% da produção boliviana de coca seja destinada a fins ilícitos, enquanto o restante entra no mercado legal. A localização do país no coração da rede de narcotráfico da América do Sul, juntamente com forças de segurança frágeis e corruptas, também facilita o papel da Bolívia como país de trânsito para narcóticos destinados ao Brasil, Paraguai, Estados Unidos, Europa e, cada vez mais, à Ásia. Aproximadamente metade da cocaína consumida no Peru passa pela ponte aérea entre o Peru e a Bolívia, e os voos de drogas entre a nação andina e seus vizinhos estão aumentando constantemente.

Além disso, cartéis mexicanos, brasileiros e colombianos têm marcado presença na Bolívia nas últimas duas décadas. De fato, suspeita-se que duas das organizações criminosas mais poderosas da Colômbia, Los Urabeños e Los Rastrojos, atuem na região leste do país.

De forma semelhante, segundo o Ministério Público brasileiro, o Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção criminosa mais perigosa do Brasil, conta com 146 membros atuando em Santa Cruz, Beni e Cochabamba. A Bolívia ocupa o quarto lugar no ranking de países com maior número de membros do PCC fora do Brasil, atrás apenas do Paraguai (699), Venezuela (656) e Uruguai (150).

O Tren de Aragua é uma gangue criminosa de origem venezuelana. Essa máfia controla o norte do Chile desde 2018 e se dedica ao tráfico de mulheres para exploração sexual como sua principal fonte de renda, ainda mais do que o tráfico de drogas e armas. Mas também se envolve em extorsão, assassinatos por encomenda, lavagem de dinheiro e agora expandiu sua atuação para a mineração ilegal. Na Bolívia, existe um grupo que opera principalmente ao longo da fronteira com o Chile. A cidade de Pisiga foi o primeiro assentamento boliviano alcançado pelo Tren de Aragua, e de lá eles se expandiram para cidades como Santa Cruz de la Sierra, La Paz, Cochabamba e Oruro.

Segundo Douglas Farah, especialista em gangues de terceira geração, está se formando na Bolívia uma aliança muito perigosa entre radicais islâmicos, com o apoio do Irã, e grupos transnacionais do crime organizado, que, de uma forma ou de outra, acabam respondendo à ditadura de Castro.

Em conclusão, a Bolívia tem um presidente impotente em um narcoestado fora de controle.


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