Bolívia, um ponto crítico na Jihad Global.

Hugo Marcelo Balderrama

Por: Hugo Marcelo Balderrama - 07/06/2026

Colunista convidado.
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As relações internacionais de Evo Morales caracterizaram-se por colocar a diplomacia boliviana ao serviço de qualquer causa antiocidental que surgisse. Ele começou por romper relações com Israel, depois expulsou a DEA e, por fim, firmou acordos com a teocracia iraniana.

Em setembro de 2007, Mahmoud Ahmadinejad fez uma visita relâmpago à América Latina. Com o objetivo de se encontrar com o produtor de coca Morales, uma de suas paradas foi La Paz. Após as honras diplomáticas, os dois líderes assinaram acordos de cooperação no valor de US$ 1,1 bilhão.

Em setembro de 2008, Evo Morales viajou a Teerã e concordou com Ahmadinejad em acelerar a implementação de projetos conjuntos. Na ocasião, os líderes acusaram o Conselho de Armas Nucleares da ONU de interferir em uma nação soberana. É mais do que óbvio que o regime iraniano estava interessado apenas nos abundantes recursos nucleares do país.

Um ano depois, o Irã patrocinou um canal de televisão em Chapare, o principal reduto das tropas de choque de Morales, e um hospital em El Alto. Vários membros da oposição, incluindo a então congressista Lourdes Millares, denunciaram que médicos e enfermeiros eram obrigados a usar o véu islâmico dentro do hospital.

Os acontecimentos deixaram claro que toda aquela "boa vontade" dos aiatolás iranianos não se tratava de assistência técnica na área da saúde, mas sim de um avanço colonialista do islamismo xiita.

Em 2011, o General Ahmad Vahidi, Ministro da Defesa iraniano, inaugurou a Escola Anti-Imperialista no departamento de Santa Cruz. Este evento marcou a completa submissão das Forças Armadas Bolivianas aos planos expansionistas do Irã, uma vez que toda a instrução passou a ser ministrada por militares e especialistas iranianos. Na cerimônia de abertura do centro militar, Evo Morales declarou: "O objetivo da escola é construir uma ideologia anticolonial e anticapitalista que vincule as Forças Armadas aos movimentos sociais e neutralize a influência da Escola das Américas."

Durante o governo de Arce Catacora, o avanço militarista do Irã se consolidou, como demonstrado pela viagem do Ministro da Defesa, Edmundo Novillo, a Teerã em 20 de julho de 2023, onde assinou um memorando de entendimento sobre cooperação em segurança e defesa com o General Mohammad Reza Qarai Ashtiani. O regime teocrático descreveu o acordo como incluindo a venda de equipamentos militares, treinamento de pessoal, fornecimento de drones Shahed e compartilhamento de informações de inteligência.

Nossos países vizinhos encararam esses acordos com preocupação. De fato, Patricia Bullrich denunciou que a Bolívia concedeu passaportes bolivianos a cidadãos iranianos, não apenas a civis comuns, mas também a membros de suas tropas de choque. A respeito disso, Grover Colque, em seu livro *Bolívia, uma Ameaça Assimétrica às Américas*, afirma: “A penetração iraniana na Bolívia tem duas facetas: 1) uma mudança na doutrina militar e 2) o treinamento de quadros violentos, especialmente nos focos de tensão de Achacachi, na região sul de Cochabamba e em Chapare. Esses elementos treinados e radicalizados são então exportados para os conflitos em nossos países vizinhos.”

Em novembro de 2025, Rodrigo Paz assumiu a presidência da Bolívia pela segunda vez em duas décadas, na esperança de emergir do pesadelo do Movimento para o Socialismo (MAS). De fato, seus primeiros passos foram na direção certa: restabeleceu relações com Israel, anunciou o retorno da DEA — expulsa por Morales em 2008 — e participou da cúpula Escudo das Américas no Trump National Doral em março de 2026, integrando o mecanismo regional de coordenação de defesa e inteligência com outros doze países.

No entanto, seis meses após o início do governo, a realidade mostra que tudo não passou de boas intenções. Chapare continua sendo um epicentro do crime organizado e de conflitos em curso; a Abya Yala TV continua transmitindo; projetos de cooperação civil iraniana — hospitais, clínicas e laticínios — não foram auditados; as relações com Cuba não foram rompidas; a Bolívia não designou o Hezbollah, o Hamas ou a Guarda Revolucionária Islâmica como organizações terroristas, apesar da pressão explícita de Washington; e as alegações de presença de ativistas iranianos no país não foram investigadas.

Em suma, a atual crise do país, com mais de trinta dias de bloqueios de estradas e várias mortes, não é um problema exclusivamente nacional. Todos os regimes antiocidentais (Irã, Rússia, China e Cuba) estão envolvidos, pois pretendem fazer do país o novo epicentro de suas operações. Isso é algo que o governo parece não entender ou, pior, não se importar.


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