
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 15/03/2026
Este é o momento histórico que definirá a liberdade ou a repetição da opressão para os povos das Américas. Essa definição reside no futuro de Cuba, ainda hoje subjugada ao regime do crime organizado mais antigo e bem-sucedido da região. A liberdade de Cuba moldará o futuro de todo o Hemisfério Ocidental. Se, por qualquer meio, o ditador deixar o poder, mas a ditadura permanecer, nada terá mudado. Mas se a ditadura terminar, a liberdade do povo cubano e a segurança dos Estados Unidos e das Américas estarão asseguradas para as futuras gerações.
O Instituto Interamericano para a Democracia é um think tank pluralista e não proselitista dos Estados Unidos que trabalha há quase duas décadas para promover, defender e sustentar a liberdade, a democracia, os direitos humanos e a integridade institucional nas Américas. Realiza estudos, fóruns, conferências, colóquios e diversas formas de pesquisa social e política, e seu braço editorial já publicou mais de 100 livros em inglês e espanhol. Nesse sentido, promoveu recentemente o Fórum “Quo Vadis Cuba 2026”, que reuniu líderes, acadêmicos, empresários, políticos, artistas, jornalistas e cidadãos cubanos residentes em Cuba, integrantes da comunidade de exilados que existe há 67 anos.
Apesar das diferenças em educação, geração, posição social e situação econômica e política, a opinião da sociedade civil cubana é unânime ao expressar a urgência e a extraordinária oportunidade de pôr fim à ditadura que os oprime. "Pôr fim", no sentido preciso de "terminar, acabar, concluir, finalizar, liquidar, cessar, expirar, exaurir, interromper..." — esta é a verdadeira mudança, não mais do mesmo sob qualquer forma, apresentação ou simulação.
As novas gerações de cubanos, aqueles nascidos sob o regime de Castro e educados através da doutrinação sob a narrativa da chamada revolução, repudiam de forma consistente e unânime o regime e clamam por “pátria, vida e liberdade”. Todos anseiam pelo fim do sistema de “terrorismo de Estado” que os subjugou por 67 anos com a tolerância, cumplicidade ou envolvimento de governos mundiais que transformaram a “questão cubana” em instrumento de ajuste político no frágil equilíbrio com o crime organizado transnacional e a proteção ou ativação do terrorismo.
A ditadura cubana se manteve até agora por meio de uma vasta rede de cumplicidade e ameaças que subjugaram a conduta das democracias nas Américas e no mundo. Ao projetar uma imagem de quase eternidade, de uma ditadura sem prazo de validade, ela usou e continua a usar sua capacidade de sobreviver, manipular e derrotar 13 presidentes dos EUA, incluindo Trump, demonstrando sua expertise em gerenciar e superar crises.
Governos latino-americanos que se opuseram ao regime cubano foram vítimas de protestos de rua, conspirações, surgimento de subversão, formação de grupos guerrilheiros, terrorismo, sequestros, ataques, assassinatos, todo tipo de desestabilização interna, golpes de Estado, difamação e campanhas de calúnia. Líderes que denunciaram a natureza criminosa, narcotraficante e terrorista do regime cubano sofreram constantes conspirações, golpes de Estado, ataques e perseguições.
A ditadura cubana orquestrou conspirações, golpes e todo tipo de derrubada, promoveu candidatos e financiou eleições, resultando em presidentes e governos subservientes — os governos “paraditatoriais” que vemos hoje no Brasil com Lula, no México com Sheinbaum, na Colômbia com Petro e na Espanha com Sánchez, e que ocorreram na Argentina com os Kirchner, no Paraguai com Lugo, no Chile com Boric e em Honduras com Castro. Formou “grupos internacionais” como o Foro de São Paulo, o Grupo Puebla e outros. Disfarçou crimes de esquerda e/ou transformou a esquerda em uma entidade criminosa.
Aqueles que aceitaram a oferta de "amizade para evitar problemas" do regime de Castro navegaram por períodos de governo relativamente tranquilos, mas com a ignomínia da capitulação. Aqueles que se integraram ao sistema, colocando sua política externa a seu serviço, entregando recursos por meio de contratos espúrios com trabalhadores escravizados e seguindo suas diretrizes, desfrutaram de sua gratidão e proteção inabalável, como uma máfia. Pois a ditadura cubana é o chefe da máfia mais bem-sucedida, organizada como socialismo do século XXI ou Castro-Chavismo, que suplantou a política com uma narrativa de revolução e retórica anti-imperialista.
Com a "Estratégia de Segurança Nacional" dos Estados Unidos, a "Lança do Sul", seu operador na Venezuela transformado no "prisioneiro Nicolás Maduro", o Escudo das Américas e a nova realidade geopolítica regional e global, a ditadura cubana provou ser o centro de uma agressão permanente. É por isso que está sob um ultimato dos EUA, mas manobra para "ceder terreno em troca de tempo", na esperança de que Trump 47 possa se tornar o 14º presidente dos EUA que eles manipularam, comprovando assim a eternidade ditatorial da qual se alardeiam e promovem.
Somente o fim da ditadura cubana trará liberdade ao povo cubano e segurança aos Estados Unidos e ao Hemisfério Ocidental. Qualquer outra opção não é nem liberdade nem segurança; é a perpetuação do crime organizado transnacional, que pode e deve ser definitivamente derrotado.
*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.
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