
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 26/04/2026
As ditaduras do socialismo do século XXI estão em declínio. A de Cuba agoniza sob um ultimato, com os dias contados; a da Venezuela está em processo de desmantelamento; a da Nicarágua está exposta sob sanções crescentes; e a da Bolívia perdeu o poder. Mas todas aplicam a regra de "ceder terreno para ganhar tempo", na esperança de provocar algum evento que distraia ou enfraqueça o governo dos EUA, ou que Trump se torne presidente pela 47ª vez. Essas ditaduras transformaram o conceito de transição em uma narrativa manipuladora para ganhar tempo enquanto se agarram ao poder.
O fim das ditaduras que controlaram a América Latina ao longo deste século é uma prioridade para o governo Trump. A necessidade de restaurar a segurança interna e internacional dos EUA identificou os principais alvos de ataque nas ditaduras socialistas do século XXI, sob a liderança de Cuba, tendo a Venezuela como sua base principal. A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada em novembro de 2025, é o documento orientador para as mudanças geopolíticas em curso.
A questão central é que as ditaduras de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia, e seus governos paraditatoriais no Brasil sob Lula, no México sob López Obrador e agora sob Sheinbaum, e na Colômbia sob Petro, sob o disfarce de uma retórica de esquerda, progressista, populista e anti-imperialista, são regimes transnacionais de crime organizado. Eles suplantaram a política pelo crime no poder político, na política e no governo.
Todas as ditaduras do socialismo do século XXI, ou “Castro-Chavismo”, são narcoestados que patrocinam e protegem o terrorismo. Servem como bases para ditaduras extra-hemisféricas como as do Irã, Rússia e China, institucionalizando violações dos direitos humanos e exercendo poder por meio do terrorismo de Estado, com prisioneiros políticos e exilados, massacres, tortura e assassinatos, a fim de subjugar suas populações indefinidamente. Aqueles que detêm o poder em Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia, sob esse sistema, perpetraram praticamente todos os crimes definidos nos códigos penais de seus países, no direito internacional e nos crimes contra a humanidade.
O desmantelamento das ditaduras socialistas do século XXI nas Américas é exemplificado pela Operação "Lança do Sul", pela captura do ditador Nicolás Maduro, pelo "Escudo das Américas" e muito mais. Isso inclui o combate ao narcoterrorismo, o controle da migração forçada, operações antinarcóticos, o desmantelamento de cartéis, o combate a grupos criminosos organizados transnacionais, o desmantelamento de conspirações e campanhas eleitorais manipuladas, a captura de chefões do narcotráfico, o monitoramento de transações financeiras e uma longa lista de outras medidas atualmente em andamento.
O ponto de ruptura para as ditaduras foi a prisão de Nicolás Maduro — agora o Maduro encarcerado, enfrentando a justiça — em 3 de janeiro de 2016. Desde então, a Venezuela está sob a tutela dos Estados Unidos, que adotaram a difícil estratégia de desmantelar a ditadura por meio dos próprios mafiosos que a compõem, com uma agenda em três etapas: estabilização (impedindo o colapso do Estado por meio do controle das vendas de petróleo), recuperação (reconstruindo a indústria petrolífera com abertura a investimentos, libertando presos políticos e permitindo o retorno de exilados) e transição (realizando eleições livres e consolidando a democracia).
Em menos de quatro meses, o progresso na agenda é notável, mas é crucial observar que o "governo de tutela" está protelando, manobrando e agindo de forma hesitante para evitar eleições livres, pois são as eleições que promovem a mudança de governo e sua efetiva separação do poder. Sua estratégia é ganhar tempo cedendo terreno parcialmente para manter o controle do poder, razão pela qual é urgente acelerar as eleições, já que a mudança só ocorrerá com um novo governo que não faça parte do sistema ditatorial.
A ditadura cubana, debilitada desde que perdeu o controle da Venezuela, pretende negociar uma pseudomodernização de seu sistema com os Estados Unidos, mantendo-se no poder. O objetivo é mudar o modelo para que nada mude até a saída de Trump, repetindo assim a estratégia de ganhar tempo que lhes permitiu atacar os Estados Unidos e as Américas por 67 anos. O ultimato de Trump só pode ter como objetivo o fim do regime, que é a única mudança possível para a segurança nacional dos Estados Unidos e das democracias.
A ditadura nicaraguense está sendo exposta; sente as sanções e pressões no âmbito da nova geopolítica, mas pretende resistir ganhando tempo e contando com os poderosos grupos econômicos privados com os quais coexiste. O fim da ditadura cubana marcará o fim de Ortega e Murillo.
Na Bolívia, o ditador saiu, mas não a ditadura. O sistema socialista do século XXI, que substituiu a República por um Estado plurinacional, que tentou destruir a nação boliviana criando 36 nacionalidades distintas, que estabeleceu um narcoestado e que submeteu o país a potências estrangeiras, permanece intacto. Ainda há esperança de que o presidente Rodrigo Paz promova mudanças.
*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.
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