A onipotência do Estado e a corrupção

Hugo Marcelo Balderrama

Por: Hugo Marcelo Balderrama - 17/08/2026

Colunista convidado.
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O grande patriota argentino, Juan Bautista Alberdi, em seu ensaio "A Onipotência do Estado", expôs o grande paradoxo de nossos países: após a ruptura com a Espanha, os cidadãos deste lado do mundo acabaram escravizados por seus governos nacionais. Além disso, Alberdi, quase um século à frente de vários laureados com o Prêmio Nobel de Economia, compreendeu que a riqueza de um país não reside na extensão de seu território, muito menos em seus recursos naturais, mas nas instituições políticas que permitem às pessoas serem livres para pensar, acreditar, produzir e comercializar.

Por sua vez, John Mukun Mbaku, professor de Ciência Política em diversos países africanos, explica que a onipotência do Estado cria incentivos perversos para a corrupção. Em outras palavras, o número de funcionários corruptos, o montante de subornos e os índices de corrupção são meramente indicadores de um problema maior. Para ilustrar, se um município tem dois orçamentos para uma ponte, um de 100 mil bolívares e outro de 10 milhões de bolívares, qual opção as construtoras são mais tentadas a escolher: a opção 1 ou a opção 2? Obviamente, a opção 2. Agora imagine o caso de um aparato burocrático com orçamento ilimitado.

Na verdade, os monopólios, ao contrário do que ensinam as faculdades de economia, não são um produto do capitalismo, mas sim a consequência de acordos entre grandes Estados e empresários com padrões morais questionáveis. Em 1912, Ludwig von Mises, em sua obra *Teoria da Moeda e do Crédito*, usou fabricantes de armas como exemplo para explicar como certos grupos empresariais lucram com a inflação.

Se, por exemplo, o papel-moeda for emitido em tempos de guerra, as novas notas irão primeiro para os bolsos dos fornecedores de material bélico. Como resultado, a demanda por certos bens aumentará, assim como suas vendas e preços, especialmente por se tratarem de itens de luxo. Isso melhorará a situação dos produtores desses bens; a demanda por outros bens também aumentará, perpetuando assim a alta dos preços e das vendas, que se espalhará para um número cada vez maior de bens até que, eventualmente, afete todos eles. Nesse caso, alguns ganham e outros perdem com a inflação. Basicamente, os vencedores são aqueles que recebem o novo dinheiro a um nível de preços mais baixo.

No contexto nacional, um fenômeno semelhante pode ser observado com a Lei de Serviços Financeiros. Essa lei permitiu que todos os bancos e cooperativas aumentassem seus ativos, enquanto, ao mesmo tempo, os cidadãos comuns, devido à inflação e à pilhagem das economias em dólares, assistiam silenciosamente à desvalorização de seus salários e rendimentos. Em suma, a ditadura boliviana decidiu quem enriqueceria e quem seria arruinado.

Em seu livro *Corrupção e Governo*, Susan Rose Ackerman explica que quanto mais gastos públicos um governo tem, mais corrupto ele será; portanto, a corrupção é um problema tanto econômico quanto político. Para mitigá-la, visto que eliminá-la completamente é impossível, Rose Ackerman propõe uma série de reformas políticas e econômicas, que examinaremos a seguir:

Para reduzir as oportunidades de corrupção, seria necessário (1) eliminar as entidades, programas e subsídios estatais cujos custos (incluindo o custo do peculato) superam em muito os seus benefícios; (2) reformar os programas estatais considerados necessários para que os funcionários públicos tenham menos poder de decisão; (3) reformar a burocracia para que os seus incentivos estejam alinhados com uma gestão mais eficiente dos recursos públicos; e (4) reformar os processos de adjudicação, reduzindo o poder de decisão dos funcionários públicos nas decisões de concessão de contratos e concessões públicas.

Pensando na Bolívia, isso poderia se aplicar à necessidade urgente de fechar todas as empresas públicas e os muitos outros órgãos criados unicamente para extorquir dinheiro dos empresários. Em suma, o oposto do que os políticos costumam propor.


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