
Por: Carlos Sánchez Berzaín - 12/04/2026
Estamos vivendo tempos de mudança nas Américas e no mundo. Na Venezuela, eleições são urgentemente necessárias para realizar uma transição de poder, e não uma manipulada por um grupo criminoso; na Bolívia, a restauração dos elementos essenciais da democracia, atualmente inexistentes, é urgente; o fim da ditadura cubana, e não sua modernização, é um ultimato constante; e o regime nicaraguense não pode mais ser protegido por sua burguesia.
A primeira Cúpula das Américas, em 1994, lançou as bases para a meta da democracia plena. Essa iniciativa, proposta pelo presidente George W. Bush após sua derrota nas eleições para Bill Clinton, foi aceita e implementada tanto em conteúdo quanto em pessoal, dando origem a uma política externa bipartidária dos EUA em relação à América Latina.
Para sobreviver à derrota do triunfo do capitalismo sobre o comunismo, a única ditadura nas Américas, Cuba, criou o Foro de São Paulo, defendendo a "multiplicação de eixos de confronto", regionalismo, indigenismo, sexismo, choque de gerações, racismo e muito mais.
Com a ascensão de Hugo Chávez à presidência da Venezuela em 1999, ele imediatamente ofereceu apoio à ditadura cubana e tornou-se parceiro capitalista de Castro, dando origem ao "Castro-Chavismo". Isso facilitou a expansão da ditadura cubana e, sob o pretexto de anti-imperialismo, eles assumiram o controle ditatorial da Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador, estabelecendo uma estrutura de "narcoestados".
O resultado foi a substituição da política pelo crime organizado, utilizando o tráfico de drogas, a corrupção e as violações sistemáticas dos direitos humanos como ferramentas de controle e dominação — o terrorismo de Estado como forma de governo. O Estado de Direito foi substituído pelo terrorismo de Estado e os sistemas democráticos pelo narcoterrorismo.
O grupo populista tornou-se a organização criminosa transnacional de maior sucesso, controlando governos e organismos internacionais como a OEA sob a liderança de Insulza. Com retórica anti-imperialista e pró-narcoterrorismo, promoveram agressões utilizando "guerra híbrida". Tornaram-se plataformas para a infiltração em ditaduras extra-hemisféricas como a China, a Rússia, o Irã e outras.
A morte de Hugo Chávez, já atribuída à ditadura de Castro, deu a Cuba o controle absoluto do grupo e transformou a Venezuela em seu estado satélite com a imposição de Nicolás Maduro como ditador. Cuba permaneceu a principal ditadura e o narcoestado mais antigo, enquanto Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, sob Correa, tornaram-se ditaduras satélites, com seus governos subservientes às ditaduras.
O momento de maior poder para o grupo criminoso do socialismo do século XXI foi a Cúpula das Américas de 2015, no Panamá, onde o presidente Barack Obama reconheceu a liderança de Raúl Castro na América Latina. Meses depois, as relações entre os Estados Unidos e Cuba foram retomadas, com benefícios já documentados na história.
Isso mudou em 2025 com Donald Trump, que implementou uma nova estratégia de segurança nacional que alterou tanto a política interna quanto a externa dos EUA, identificando o crime organizado e o narcoterrorismo em posições de poder político e/ou sob sua proteção como agressores. A Operação Lança do Sul, a captura de Nicolás Maduro e a Operação Escudo das Américas são ações concretas que refletem essa mudança geopolítica em curso.
No entanto, o grupo criminoso do socialismo do século XXI padronizou a estratégia da ditadura cubana, que está no poder há 67 anos: em caso de crise, "ceder terreno e ganhar tempo", contando com o enfraquecimento e a mudança de governo nos Estados Unidos.
O fim das ditaduras/narcoestados do socialismo do século XXI só ocorrerá sob pelo menos três condições: eliminação da estrutura legal ditatorial, fim da impunidade e criminalização dos instrumentos, partidos e organizações políticas do crime organizado.
As ações dos Estados Unidos enfraqueceram o sistema ditatorial, mas não o extinguiram. A restauração da democracia na Venezuela está atrasada porque o processo está nas mãos dos mesmos capangas da ditadura, e a solução para isso é a realização de eleições o mais breve possível para que a transição possa ser conduzida por um governo legítimo.
Na Bolívia, existe um governo de esperança, mas ele está preso a um sistema de ditadura que abrange tudo, desde o estabelecimento do Estado plurinacional e o controle do judiciário até a impunidade, o narcoestado e muito mais. Não há mudança nem democracia enquanto essa ditadura pseudoinstitucional persistir.
A tirania cubana desafia o ultimato dos Estados Unidos, e o grupo criminoso se recusa a devolver a liberdade ao povo, aparentemente confiante no apoio das ditaduras da Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e dos governos paraditatoriais do Brasil, México e Colômbia.
A ditadura nicaraguense aguarda e confia plenamente no poder de sua burguesia, que possui influência e poder de lobby no primeiro mundo.
É hora de persistir até acabarmos com as ditaduras, cujo fim é o único sinal verificável de mudança real.
*Advogado e Cientista Político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.
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