
Por: Luis Beltrán Guerra G. - 06/07/2026
Durante um ciclo de palestras na Academia de Ciências Políticas e Sociais, o acadêmico Carlos Ayala Corao argumentou que a Venezuela deveria aproveitar as oportunidades oferecidas pela Inteligência Artificial (IA), descrevendo-a como uma ferramenta útil para a humanidade. Ele também observou que o Papa Leão XIV, na encíclica "Magnifica Humanitas", exortou que a IA fosse usada como um instrumento útil para a humanidade, e não como uma ferramenta de dominação, controle social e uma nova forma de escravidão.
Nós, não tão eruditos, éramos frequentemente rotulados como meros imitadores sempre que nos voltávamos para a IA, por isso agradecemos ao nosso bom amigo Carlos Ayala pela sugestão que ele fez sobre os benefícios da modernidade.
Assim, constatamos que a palavra “terremoto” deriva do grego “seismos” e designa um abalo ou tremor. Uma versão mais antiga do Dicionário da Real Academia Espanhola o define como um terremoto ou abalo da terra causado por forças internas. Além disso, a título de complementaridade, refere-se à “sismologia”, como ramo da geologia, ou seja, à análise dos tremores de terra. Para maior clareza na análise deste tema, permitam-nos também mencionar, embora talvez repetindo, o seguinte:
1. Sismógrafo, um instrumento que indica a direção e a amplitude das oscilações e tremores da Terra durante um terremoto.
2. Terremoto, abalo ou tremor do solo, causado por forças que atuam no interior do globo terrestre.
3. Terremoto, um tremor de terra causado pela liberação repentina de energia acumulada no interior da Terra.
Agora, para uma análise mais abrangente, devemos acrescentar os eventos causados pela vontade humana, que levantam questões sobre a suposta legitimidade da expressão "terremotos políticos". Entre eles, com base em "The Big Book of Answers", de Kevin S. Hile, podemos citar alguns: o nacionalismo, o Movimento de Libertação da Índia (Mohandas Gandhi), o Solidariedade (Lech Walesa), o movimento antiapartheid, a abolição da escravatura, o Movimento pelos Direitos Civis (o discurso "Eu Tenho um Sonho", de Martin Luther King Jr.), a Ku Klux Klan, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais Unidos (César Chávez), o feminismo, o populismo, o progressismo (direitos dos trabalhadores), o movimento hippie e o movimento Occupy (com alcance internacional na busca por uma economia equitativa). Essa lista se enquadra na categoria de "Movimentos Políticos e Sociais". No entanto, vários outros podem ser identificados, incluindo movimentos religiosos, filosóficos e artísticos.
À luz do exposto, é difícil ignorar a "curiosidade", definida pela IA como "o desejo ou impulso natural de conhecer, descobrir e aprender", sem questionar se, além da convulsão ou tremor de terra causados por forças que atuam no globo, a Venezuela também tem sido vítima, por muitos anos e em diversas ocasiões, de "terremotos políticos, sem que se tenha encontrado um sismógrafo eficiente em algumas ocasiões".
Além disso, dentro da estrutura da lógica, é preciso enfatizar que figuras proeminentes apontam que o sistema político é mais eficiente na medida em que se baseia na "maximização da cidadania", a fonte do verdadeiro cidadão, definido como "aquele que se comporta racionalmente e modera os impulsos e paixões humanas mais intensos". Segundo especialistas renomados, abrigamos impulsos primitivos, desejos reprimidos e traumas que influenciam nosso comportamento sem que tenhamos consciência disso. Esses são considerados aspectos psíquicos que interagem frequentemente, definindo a dinâmica da personalidade e levando à gratificação imediata dos desejos, independentemente das consequências. Um superego imbuído de exigências diante de uma realidade externa induz uma perturbação do equilíbrio espiritual quando não conseguimos dominar nossa própria complexidade, o que nos compele a desafiar até mesmo a vontade de Deus. Para a Inteligência Artificial, a transgressão voluntária e consciente da lei divina, cujas consequências parecem mais catastróficas do que o desrespeito desenfreado às normas criadas pelos sistemas políticos, é uma questão séria. Deixar de lado a postura de manter o equilíbrio, controlar os impulsos e agir com moderação diante das emoções ou desejos exerce, sem dúvida, uma influência decisiva e, logicamente, negativa sobre a liderança política. Prova disso é abundante nos países da América Latina.
Uma das afirmações acima é que não devemos duvidar de que os “terremotos políticos” existiram, existem e que, ao longo dos séculos, fizemos milhões de tentativas para regulá-los, em prol de uma democracia eficiente, tema no qual o professor Carlos Blanco, proeminente político venezuelano que ocupou cargos importantes no segundo governo do presidente Carlos Andrés Pérez, participou da busca por alternativas, como demonstra a interessante obra “Democracia versus Estado eficiente”, publicada pela CEPAL.
Em um livro interessante de Juan Garrido Rovira, intitulado “A Revolução de 1810” (2009), o distinto jurista se refere ao Regulamento de 11 de junho de 1810, destacando entre seus objetivos e aspectos: 1. Abertura democrática e proporcionalidade, 2. Concentração de poder: causa de misérias políticas, 3. Separação de poderes, 4. Participação da comunidade, 5. Formação do censo geral, 6. Contagem de votos, 7. Eleição de deputados, 8. Instalação do Congresso e, finalmente, “Rumo à mudança definitiva da condição e do regime político”, a respeito do qual o jurista expressa: “Com a instalação do Congresso, a Junta Suprema de Caracas cumpriu sua missão histórica e abriu-se caminho para discutir e decidir sobre a declaração de independência e o estabelecimento do governo republicano representativo baseado na igualdade civil e política dos homens livres.”
O leitor, pensando francamente, provavelmente contará os 216 anos que se passaram desde então e, francamente, comentará: "Vivenciamos algumas convulsões políticas consideráveis", consequências de ações humanas, embora aquelas impulsionadas pela natureza sejam numericamente muito menos frequentes. Uma razão justificável para perguntar qual dos dois tipos devemos temer mais.
O regime estabelecido pelos Estados Unidos, em vigor desde 3 de janeiro deste ano, tem sido descrito por alguns como "responsabilidade de cogoverno" e por outros como "protetorado e tutela". Aqueles cansados de tantos terremotos ainda acolhem bem a intervenção do Gigante do Norte, mas os mais otimistas, do tipo "sim, nós podemos", defendem a democracia, conforme consagrada no Preâmbulo da Constituição de 1999, que vale a pena citar:
O povo da Venezuela, no exercício de seu poder constituinte e invocando a proteção de Deus, o exemplo histórico de nosso Libertador Simón Bolívar, e o heroísmo e sacrifício de nossos ancestrais indígenas e precursores e arquitetos de uma nação livre e soberana; com o objetivo supremo de refundar a República para estabelecer uma sociedade democrática, participativa e protagonista, multiétnica e multicultural, em um Estado justo, federal e descentralizado, que consolide os valores de liberdade, independência, paz, solidariedade, bem comum, integridade territorial, convivência e Estado de Direito para esta e as futuras gerações; assegure o direito à vida, ao trabalho, à cultura, à educação, à justiça social e à igualdade, sem discriminação ou subordinação de qualquer espécie; promova a cooperação pacífica entre as nações e fomente e consolide a integração latino-americana de acordo com o princípio da não intervenção e da autodeterminação dos povos, a garantia universal e indivisível dos direitos humanos e a democratização da sociedade internacional, o desarmamento nuclear, o equilíbrio ecológico e os bens jurídicos ambientais como direitos comuns e patrimônio inalienável da humanidade; no exercício de seu poder originário representado pela Assembleia Nacional Constituinte por meio de voto livre e em referendo democrático.”
Não saberíamos dizer se a proposta de "refundação da Venezuela" pode ser considerada um dos terremotos mais imaginativos da nossa história, já que ainda abala nossa república aspirante, porém ainda não concretizada. Infelizmente.
Nesse contexto, vale a pena revisitar o conselho do acadêmico Carlos Ayala, novamente baseado em IA, que define otimismo exagerado como "a tendência de superestimar eventos positivos e subestimar riscos, o que pode levar a um otimismo tóxico. No curto prazo, traz calma, mas, a longo prazo, gera ansiedade ao evitar a realidade e negar emoções necessárias como tristeza ou raiva". "Não é fácil", dizem os italianos.
Devemos mencionar a resposta que nosso colega acadêmico, nosso discípulo, José Rafael Badell, Presidente da Academia de Ciências Políticas e Sociais, deu à apresentação de Ayala. Este estimado aluno e amigo, com ampla habilidade em evocar a frase histórica "Di cebanos eterna die!" (que significa "Como dizíamos ontem!"), pareceu incutir na plateia a necessidade de otimismo para evitar o desespero, visto que Frei Luís de León iniciava suas aulas com essa mesma frase, frequentemente devido às suas prisões nas masmorras da época, punido por defender o caminho necessário para a modernidade política.
Antes de concluir, é essencial mencionar o excesso de regulamentações, decorrente da crença equivocada de que tudo pode ser resolvido por meio da problemática inflação regulatória resultante de uma interminável catalogação de crimes e supostas penalidades. Isso ressalta a natureza ilógica de classificar "terremotos" por meio de constituições ou fontes legais de nível inferior. No mínimo, a IA (presumivelmente referindo-se a uma organização ou corpo de direito específico) criticaria tal medida.
Uma observação final neste ensaio seria destacar a perturbadora interdependência entre leis, terremotos e lágrimas. E isso é particularmente verdadeiro se aceitarmos a hipótese. O desastre sísmico na costa venezuelana, portanto, justifica uma análise para esclarecer o que frequentemente se diz sobre um exagero de cumplicidade, o que não surpreende, visto que, segundo o relato bíblico, Sodoma e Gomorra foram destruídas por uma chuva de fogo e enxofre enviada por Deus como castigo divino. Os textos sagrados indicam que a destruição se deveu à extrema depravação, imoralidade sexual, injustiça social, maus-tratos a estrangeiros e à arrogância de seus habitantes.
Finalmente, retornando ao tema das relações atuais entre os Estados Unidos e a Venezuela, há poucas opções, talvez apenas duas: 1. A responsabilidade compartilhada, o protetorado ou a tutela continuam, e 2. Os Estados Unidos decidem não prosseguir com o curso atual. Talvez uma olhada no perspicaz livro de Paul Johnson, "Os Estados Unidos: Uma História" (2001), possa ajudar a esclarecer se a abordagem do atual regime em relação à Venezuela é apropriada ou não. Limitando-nos ao índice, os tópicos abordados são: Parte Um, "Uma Cidade Sobre uma Colina" / América do Norte Colonial, 1580–1750; Parte Dois, "Que a Constituição Livre Seja Para Sempre Sagrada" / América do Norte Revolucionária, 1750–1815; Parte Três, "O Que Prevalece É uma Mediocridade Geral Feliz" / América do Norte Democrática, 1815–1850; Parte Quatro, "O Povo Quase Escolhido" / A Guerra Civil Americana, 1850–1870; Parte Cinco, Multidões e Cruzes Douradas, 1870–1912; Parte Seis, “A Primeira Nação Internacional”, 1912–1929; Parte Sete, “Nada a Temer”, Superpotência América do Norte, 1929–1960; e, finalmente, Parte Oito, “Pagaremos Qualquer Preço, Suportaremos Qualquer Fardo”, América do Norte Problemática, 1960–1977.
Esse é o país, caros leitores, em 3 de janeiro de 2026.
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