A crise e a queda de governos paraditatoriais nas Américas

Carlos Sánchez Berzaín

Por: Carlos Sánchez Berzaín - 06/04/2026


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Os governos subservientes à ditadura cubana e seus satélites socialistas do século XXI reduziram-se aos de Lula no Brasil, Sheinbaum no México e Petro na Colômbia, dos quais Brasil e Colômbia podem se libertar nas eleições presidenciais deste ano. Sob o pretexto da retórica anti-imperialista, Brasil, México e Colômbia são agora cúmplices e acobertam a maior rede transnacional de crime organizado que oprime o povo cubano. São claramente identificados como governos para ditatoriais, em crise e à beira do colapso.

Um governo para ditatorial é aquele “eleito democraticamente, representando um país democrático, mas servindo a regimes ditatoriais, contribuindo para sua manutenção e perpetuação por meio de ações de legitimação e apoio, violando obrigações jurídicas internacionais e prejudicando seus próprios interesses nacionais”. Essa condição constitui uma situação de ilegalidade interna e internacional que deve ser sujeita à responsabilização, processo e condenação pelos crimes que acarreta.

A atrocidade de um governo para ditatorial reside no fato de ser liderado por um presidente democraticamente eleito que, violando o respeito aos direitos humanos, aos elementos essenciais da democracia e à propriedade e segurança de seus próprios cidadãos, apoia a ditadura cubana e suas ditaduras satélites, integradas sob o disfarce político do socialismo do século XXI. O primeiro crime consiste em conferir valor político ao crime organizado que, ao organizar e sustentar narcoestados e o narcoterrorismo, ataca seus apoiadores.

Existem questões e contas pendentes que precisam ser esclarecidas e tornadas públicas na Venezuela, Bolívia e Equador. Essas nações, que estão passando por diferentes estágios de libertação de regimes ditatoriais, precisam urgentemente conhecer os acordos, os valores das remessas e a finalidade das transferências de recursos para a ditadura cubana, incluindo o volume de dinheiro, títulos, produtos e qualquer outro tipo de desembolso.

Isso equivale a US$ 63,8 bilhões que a ditadura satélite venezuelana pagou a Cuba “para estabelecer o terrorismo de Estado”. O Infobae noticiou que “o regime chavista usou reservas significativas de petróleo que remontam aos tempos de Fidel Castro e Hugo Chávez em troca de treinamento e capacitação para as forças de segurança, especialmente de inteligência e contra-inteligência”. Tratam-se de atos criminosos.

Durante os mais de dez anos da ditadura de Correa no Equador e sua capitulação à ditadura cubana, nenhum dado econômico foi divulgado para demonstrar o custo para o povo equatoriano da transformação do país em um narcoestado com presos políticos e exilados. É imprescindível que sejam tornadas públicas as contas referentes a serviços de consultoria prestados por profissionais cubanos, à cooperação militar e a outros projetos.

Na Bolívia, a presença da ditadura cubana permanece intacta e oculta. Dados da Assembleia Legislativa mostram que o governo atual não respondeu a um pedido de relatório oral ao Ministério das Relações Exteriores, solicitando a divulgação do número de diplomatas e funcionários assimilados credenciados na Bolívia por Cuba, Venezuela, Irã e Rússia. Os chamados acordos com a ditadura cubana nas áreas de saúde, educação, segurança e outras permanecem em vigor, e não se sabe quanto custaram ao povo boliviano nem quanto a Bolívia repassou a Cuba desde que Evo Morales assumiu o poder.

A “dívida de Cuba com a Argentina é estimada em 15 bilhões de dólares”, conforme relatado pela Infobae em 20 de janeiro de 2023, observando a atitude do então governo ditatorial como “não sabe, não responde… esta seria a opção que melhor descreve a resposta do governo argentino sobre a situação da dívida histórica de Cuba…”.

O México, desde López Obrador até seu sucessor Sheinbaum, não faz qualquer esforço para esconder seu apoio ao crime organizado de Castro. Em setembro de 2025, a imprensa mexicana noticiou que "sete anos após a ascensão do Morena ao poder, o país enviou mais de US$ 1,2 bilhão para Cuba". Segundo o Mega Noticias, "os US$ 1,235 bilhão em apoio a Cuba equivalem a 8,72% do orçamento da Cidade do México, 40,2% do orçamento da UNAM e 5,78% da dívida da Pemex com seus fornecedores".

Lula da Silva apoia o castrismo desde a criação do Foro de São Paulo em 1990, com dinheiro do Partido dos Trabalhadores, e desde que se tornou presidente do Brasil gastou bilhões de dólares, inclusive na contratação de "médicos escravizados", apesar de relatórios e denúncias internacionais condenarem a ditadura cubana por tráfico de pessoas e escravidão. Em fevereiro de 2004, a dívida de Cuba com o Brasil era de US$ 671,7 milhões.

A subserviência da Colômbia a Petro, cuja campanha foi financiada pelo Castro-Chavismo, não é apenas econômica, mas também decorre da proteção declarada ao narcoterrorismo das FARC e do ELN, grupos criados e mantidos pela ditadura cubana. A transição para a democracia em curso na Venezuela, sob tutela dos EUA, pelo menos privou a campanha eleitoral da Colômbia dessa fonte de financiamento.

* Advogado e cientista político. Diretor do Instituto Interamericano para a Democracia.

Publicado em infobae.com segunda-feira abril 6, 2026



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