
Por: Humberto Vacaflor - 24/05/2026
Colunista convidado.É preciso admitir que na Bolívia existe um narcoterrorista que enfrenta um governo fraco, que ele deixou com uma economia em frangalhos, com os mercenários da indústria mais poderosa que o país já teve: Evo Morales.
A guerra aberta começou um dia após a visita do major-general Philip J. Ryan, comandante do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos, para coordenar com o governo de Rodrigo Paz a participação dessa unidade no combate ao narcotráfico boliviano.
Naquele dia, 1º de maio, Evo Morales, chefe dos produtores de coca, matéria-prima da cocaína, rompeu a aliança secreta – um segredo aberto – que mantinha com o governo desde que este o ajudou a vencer as eleições de 2025.
A guerra já dura 23 dias e paralisou o país com cinquenta bloqueios de estradas e o cerco à cidade de La Paz, onde os bloqueadores não permitem nem mesmo a entrada de oxigênio nos hospitais, tendo inclusive impedido a passagem de uma ambulância que transportava um menino mineiro de doze anos, até que ele faleceu.
O exército não pode fazer nada, e esta semana, quando o Ministro das Obras Públicas, Mauricio Zamora, foi emboscado pelos combatentes de Morales, o comandante militar denunciou que os bloqueadores possuem armas de grosso calibre de origem russa.
Em La Paz, uma cidade de dois milhões de habitantes, a comida é escassa e o governo está propondo um "corredor humanitário" para permitir a passagem de suprimentos essenciais, mas Morales não cede, mesmo com o envio de aviões de ajuda pela Argentina e pelo Chile.
A Bolívia, com uma força policial infiltrada por narcotraficantes e sem o equipamento necessário, sequer consegue entrar em Chapare, onde se diz que terroristas do Hezbollah deixaram drones para uma guerra contra o Estado boliviano, de acordo com o especialista espanhol Herman Tertsch, em entrevista concedida da França.
O Ministério Público informou que a polícia não conseguiu capturar Morales, contra quem existem três mandados de prisão relacionados ao sequestro de três meninas de 14 anos que ele estuprou.
Mas as principais acusações contra o maior produtor de coca estão relacionadas a drogas, como comprovou o jornalista brasileiro Leonardo Coutinho em seu livro “Hugo Chávez, o espectro”.
O texto narra como a cocaína boliviana foi transportada em aviões militares bolivianos até o aeroporto de Caracas, com destino aos Estados Unidos, em uma operação conduzida por Morales e Hugo Chávez.
Evo Morales faz parte do sistema narcoterrorista e é um associado de Nicolás Maduro, que atualmente enfrenta acusações nos EUA. Durante seu regime, ele protegeu narcotraficantes mexicanos, incluindo o filho de El Chapo Guzmán, que morreu em um acidente de avião em Santa Cruz enquanto fazia cursos de aviação. O narcotraficante Esteban Marset viveu e atuou na Bolívia durante os governos de Morales e Arce, e sua prisão pela DEA desencadeou uma conspiração.
Dois dos chefes da divisão antidrogas de Morales foram condenados por tráfico de drogas nos EUA, e seu czar antidrogas, Felipe Cáceres, está sendo processado por ter uma fábrica de cocaína em sua propriedade.
Evo Morales revogou pessoalmente a Lei 1008, a lei antidrogas, expandiu o cultivo ilegal de coca de 3.000 hectares em 2003, quando derrubou o presidente Sánchez de Lozada, para potencialmente 100.000 hectares atualmente. Expulsou a DEA e desconsiderou acordos internacionais antidrogas, defendeu a legalização da cocaína na ONU, seguiu a diretriz castrista de que "o narcotráfico é um instrumento de luta anti-imperialista" e transformou a Bolívia em um narcoestado dentro do sistema liderado por Cuba e Venezuela.
Na Bolívia, a economia legal precisa do Estado de Direito e enfrenta mercenários da economia ilegal, pagos pelo Cartel de Chapare, cujo chefe é Morales, e pelas máfias colombiana, brasileira e paraguaia que operam nos parques nacionais com seu coca e cocaína.
O Comando Sul atuou no Equador em fevereiro passado e, em duas semanas, prendeu 90% dos narcotraficantes daquele país, quase todos colombianos.
O presidente Daniel Noboa havia dito no ano passado que seu país não tinha forças para se defender da organização transnacional de tráfico de drogas e pediu que alguém viesse em seu auxílio.
Esse desejo se tornou realidade, e agora o Equador precisa concluir a tarefa de banir do poder os narcotraficantes restantes.
A Bolívia, com uma força policial infiltrada por narcotraficantes e sem o equipamento necessário, sequer consegue entrar em Chapare, e o exército também não se atreve.
A OEA expressou sua preocupação, mas sobretudo os países vizinhos, com exceção do Brasil.
A guerra dos narcoterroristas contra a Bolívia é muito clara, embora alguns não queiram enxergá-la.
Trata-se de uma questão de tráfico de drogas em que o "chefe Evo Morales" é um extraditável impune que desafia o Escudo das Américas da Bolívia para continuar exportando drogas.
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