Bolívia na jihad global

Hugo Marcelo Balderrama

Por: Hugo Marcelo Balderrama - 04/08/2026

Colunista convidado.
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Muitos aiatolás, clérigos do ramo xiita do Islã, e imãs, mestres religiosos do lado sunita, falam da jihad como uma luta que todo muçulmano deve travar contra o pecado e os sofrimentos inerentes aos seres humanos, mas muitos outros presumem que seja uma batalha frontal contra os infiéis; isto é, contra todos aqueles que não professam a sua fé.

É certamente verdade que as divisões entre sunitas e xiitas não se limitaram a questões teológicas, mas também levaram a confrontos políticos; no entanto, ambos os ramos compartilham um objetivo comum: expandir sua fé, pois ambas as facções acreditam que devem converter o mundo ao Islã. Portanto, o radicalismo islâmico, que existe em ambas as vertentes, tem um objetivo de expansão geopolítica. Para atingir esse objetivo, sunitas e xiitas criaram grupos armados, direta ou indiretamente. Vejamos:

Os grupos armados que seguem o sunismo são: Al-Qaeda, ISIS (Internacional), Taliban (Afeganistão), HTS (Síria), Jaish-e-Mohammed (Paquistão/Índia), Lashkar-e-Taiba (Paquistão/Índia), Boko Haram (Nigéria), Al-Shabaab (Somália), Estado Islâmico (Sahel africano) e Hamas, embora este último tenha tido alianças com grupos xiitas devido ao seu interesse comum em acabar com Israel e o sionismo.

Por sua vez, os grupos xiitas são: Hezbollah (Líbano), Forças de Mobilização Popular (Iraque), Houthis (Iêmen), Kataib Hezbollah (Iraque), Brigadas Badr (Iraque), Kataib Sayyid al-Shuhada (Iraque/Síria), Saraya al-Mukhtar (Bahrein), Al-Sabirin (Palestina).

Como o objetivo deste artigo é analisar o papel da Bolívia na jihad global, focarei na explicação da atuação dos grupos xiitas, financiados e apoiados pelo Irã. O papel dos grupos armados sunitas é extenso e merece ser discutido em outra série de artigos e ensaios.

O lado xiita promove a narrativa contra "O Grande Satã" (os EUA) e o sionismo (Israel). As milícias xiitas operam com uma estratégia coordenada; por exemplo, os houthis no Iêmen bloquearam navios americanos e israelenses no Mar Vermelho e no Canal de Suez.

Outras milícias xiitas mantêm uma linha de ataque direto contra os EUA e Israel. O Hezbollah, o braço mais poderoso do Irã, lançou ataques a partir do Líbano e fortaleceu suas posições na Síria para hostilizar Israel. No Iraque, as Forças de Mobilização Popular (FMP) atacaram bases americanas, consolidando o controle iraniano. Podemos deduzir que essas milícias perseguem objetivos geopolíticos específicos, com financiamento estatal e apoio ideológico do Irã, o que as torna uma ferramenta de guerra mais eficaz e persistente.

Além disso, a ditadura iraniana, especialmente após 1979, mantém uma postura beligerante baseada na doutrina de resistência contra o Ocidente e Israel. Essa posição levou os aiatolás iranianos a buscarem acordos com qualquer um que demonize hostilidade aos Estados Unidos e a Israel. Consequentemente, militares norte-coreanos se formaram em centros de treinamento militar iranianos. E o Irã também firmou acordos com ditaduras que surgiram do Fórum de São Paulo, especificamente Bolívia e Venezuela.

Para citar alguns exemplos, entre 2009 e 2011, o Irã, com financiamento venezuelano, instalou três fábricas de processamento de leite sob a marca Lacteosbol em Ivirgarzama (Chapare), Achacachi e Challapata. Três milhões de dólares. Dezoito mil litros de capacidade diária por fábrica. Todas localizadas em redutos eleitorais de Morales; no entanto, até hoje, a grande questão é: "Elas estão em operação?"

Em 2011, o General Ahmad Vahidi, Ministro da Defesa iraniano, visitou Santa Cruz para inaugurar uma escola militar anti-imperialista onde instrutores iranianos treinariam as Forças Armadas Bolivianas. Este centro de doutrinação estava em plena consonância com a doutrina do Grande Satã mencionada anteriormente.

A isso devemos acrescentar todo o equipamento da Abya Yala TV. O canal, ligado à Fundação Juan Evo Morales Ayma, opera desde então com uma linha editorial anti-imperialista alinhada com Teerã, Moscou, Caracas e o movimento Evo.

A este respeito, José Brechner, diplomata boliviano e especialista em radicalismo islâmico, em um artigo intitulado: A incursão iraniana na América Latina está progredindo, menciona o seguinte:

Não se deixem enganar pela aparente afeição do Irã pela América do Sul. Seu verdadeiro objetivo é a conversão das populações indígenas ao islamismo. Seu apoio político e econômico é um disfarce para impor suas convicções religiosas, como está acontecendo na cidade de El Alto, na fronteira com La Paz, onde enfermeiras bolivianas estão sendo obrigadas a usar vestimentas islâmicas em um pequeno hospital precário doado pelo Irã.

Infelizmente, em quase um ano no cargo, Rodrigo Paz, além de aparecer na foto da inauguração do Escudo das Américas, nada fez para reparar as relações internacionais da Bolívia e sua posição geopolítica. Isso nos deixa diante de uma tripla crise, onde convergem o desordem econômica, o desastre energético e a colonização xiita.


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